Falta de emprego e renda impulsiona desmatamento na Amazônia, indica estudo

Indicadores socioeconômicos inferiores à média nacional criam cenário propício à priorização de pautas econômicas em detrimento da conservação.
7 de julho de 2026
desmatamento amazônia empregos
concentraçãoamazonia.com.br
Resumo
  • A pobreza impulsiona desmatamento: o PIB per capita da região é quase um terço menor que o do restante do Brasil. Sem alternativas econômicas, boa parte dos amazônidas acabam apoiando atividades que destroem a floresta, e isso se reflete nas urnas. Em 2022, Jair Bolsonaro obteve entre 65% e 75% dos votos nos estados com grande desmatamento, mostra o estudo da Amazônia 2030.
  • "Rematamento produtivo": o estudo defende converter áreas já desmatadas em sistemas agroflorestais com espécies perenes que podem gerar emprego e renda, não apenas área recuperada, como métrica de sucesso. Empreendimentos ligados a esse modelo já faturam US$ 7,2 bilhões/ano, 3% de um mercado potencial de US$ 230 bilhões.
  • Conservação sem emprego: enquanto garimpo, madeira ilegal e pecuária oferecerem os únicos empregos disponíveis, a urgência ambiental perderá para a necessidade imediata.
  • A falta de emprego e renda entre os habitantes da Amazônia contribui para o apoio a atividades econômicas que ignoram os custos ambientais e climáticos, incluindo o desmatamento. É o que aponta o estudo “Rematamento produtivo, conservação e desenvolvimento econômico na Amazônia Brasileira”. Segundo o estudo, os amazônidas convivem com indicadores socioeconômicos inferiores à média nacional, o que cria um cenário propício à priorização de atividades destrutivas em detrimento da conservação ambiental, destacam Rede Onda Digital, g1 e Estadão.

    “As 28 milhões de pessoas que moram na região continuam a conviver com indicadores socioeconômicos notavelmente inferiores à média nacional. Em 2021, o PIB real per capita da Amazônia Legal era de R$ 32 mil, quase um terço abaixo dos R$ 44 mil registrados no restante do Brasil. Essa fragilidade econômica está intimamente ligada à escassez de bons empregos”, diz um trecho do estudo.

    Por isso, a preservação da floresta precisa abranger a geração de empregos, defende Salo Coslovsky, autor do estudo. Ele é professor associado da Universidade de Nova York e pesquisador do Amazônia 2030, iniciativa de estudiosos brasileiros para a criação de um plano de ação para o desenvolvimento sustentável da região.

    O desmatamento na Amazônia teve seu pico na década de 1990. De lá para cá, o discurso de preservação ganhou escala planetária. Contraditoriamente, em nenhum momento o desmate parou, embora tenha diminuído de ritmo. Isso acontece, segundo Coslovsky, porque parte das pessoas da região estão economicamente ligadas a atividades que destroem a floresta, como garimpo, exploração de madeira e criação de gado. E não há a criação de alternativas a isso.

    A priorização de atividades destrutivas em detrimento da preservação se reflete no comportamento eleitoral. No governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), o desmatamento na Amazônia passou de 28,5 mil km², registrados no quadriênio entre 2015 e 2018, para 45,6 mil km². Ainda assim, lembra o estudo, Bolsonaro obteve entre 65% e 75% dos votos em Rondônia, Acre, Mato Grosso e Roraima na disputa pela reeleição, além de vencer no Amapá, ainda que por margem apertada.

    A reversão dessa perspectiva passa pelo que o pesquisador chama de “rematamento produtivo”, de acordo com a pesquisa: a conversão de áreas já desmatadas e pastagens degradadas em sistemas agroflorestais, baseados em espécies perenes. Essa estratégia teria como métrica de sucesso a geração de emprego e renda, e não apenas a extensão de área recuperada.

    O levantamento estima que empreendimentos sediados na Amazônia já faturam US$ 7,2 bilhões (R$ 37,2 bilhões) por ano com produtos ligados a esse tipo de atividade. Um valor que representa apenas 3% de um mercado total estimado em US$ 230 bilhões (R$ 1,2 trilhão).

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