Licença do Bloco 59 facilita processo para outras áreas na Foz do Amazonas

Há 25 blocos na Foz já arrematados por petrolíferas, além de outros 36 no rol de áreas em estudo para possível inclusão em leilões da ANP.
7 de julho de 2026
foz do amazonas
Landsat/NASA
Resumo
  • A licença ao Bloco 59 abre porteira na Foz: IBAMA admite que a autorização para o bloco FZA-M-59 "tende a facilitar" o licenciamento de outras áreas na bacia. Já há 25 blocos na região concedidos a petrolíferas e outros 36 em estudo para futuros leilões.
  • Licenciamentos em conjunto aceleram o processo: a Petrobras revisou estudos ambientais para cinco blocos arrematados em 2013, que serão licenciados conjuntamente. Sete novos poços estão nos planos.
  • Falhas ignoradas, riscos ampliados: a licença do Bloco 59 foi concedida apesar da falta de consulta a Povos Indígenas e Quilombolas e do desconhecimento dos impactos sobre o sistema recifal amazônico. Com 86 novos blocos na fila e o IBAMA sinalizando facilitação, a "boiada fóssil" na Foz está em marcha.
  • Organizações da sociedade civil alertaram que a emissão da licença ambiental para a exploração de combustíveis fósseis no bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas, abriria a “porteira” para o licenciamento de outras áreas na bacia. Apesar das falhas existentes no processo, como a falta de consulta a Povos Indígenas e Quilombolas e o desconhecimento sobre os impactos da atividade petrolífera sobre o sistema recifal amazônico, o IBAMA concedeu a autorização. Agora, o órgão ambiental admite que a liberação “tende a facilitar” o caminho para outros blocos na região, segundo o Valor. Ou seja, a “boiada fóssil” deverá passar em breve.

    No momento, há 25 áreas na Foz já concedidas a petrolíferas. Assim como o Bloco 59, a Petrobras detém outras cinco áreas leiloadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) em 2013. Em parceria com a estadunidense ExxonMobil, a estatal brasileira ainda arrematou outros dez blocos na região no “Leilão do Fim do Mundo” de junho de 2025. No mesmo certame, a também estadunidense Chevron e a chinesa CNPC adquiriram outras nove áreas.

    Para o coordenador-geral de licenciamento ambiental de empreendimentos marinhos e costeiros do IBAMA, Itagyba Alvarenga Neto, o processo do primeiro bloco trouxe aprendizados que apoiam os demais pedidos de licença na Foz. “O processo de licenciamento se retroalimenta. Com o Bloco 59, vimos onde podemos melhorar e também que podemos seguir o exemplo da estrutura de resposta a emergência. Construções como o centro de apoio à fauna [instalado em Oiapoque, no extremo norte do Amapá] se tornaram legados que não existiam naquela região, por conta das solicitações do IBAMA.”

    A pedido do órgão ambiental, a Petrobras revisou os estudos ambientais para a perfuração de outros poços exploratórios nos cinco blocos arrematados em 2013. Os blocos FZA-M-57, FZA-M-86, FZA-M-88, FZA-M-125 e FZA-M-127 estão sendo licenciados pelo IBAMA em conjunto, o que deverá acelerar a liberação das licenças. Pelos planos da petrolífera, serão perfurados sete poços: três no Bloco 57, três no 88 e um no 127.

    Além dos 25 blocos concedidos, a ANP aprovou no fim de junho a indicação de 86 blocos de exploração no rol de áreas em estudo para possível inclusão em leilões da Oferta Permanente de Concessão (OPC). A lista inclui 36 áreas na Foz do Amazonas, confirmando a disposição do governo de expandir a atividade exploratória na região. A crise climática que espere.

    • Em tempo: Tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCS) não têm viabilidade comprovada e são absurdamente caras. Mas para o Prêmio Nobel de Química em 2025, Omar Yaghi, elas são a maneira mais realista de combater as mudanças climáticas, no lugar da substituição de petróleo, gás e carvão por fontes renováveis, combinadas com armazenamento de energia. "Vamos continuar queimando combustíveis fósseis", disse à Folha. "Não existe nenhuma outra tecnologia capaz de substituí-los com a velocidade e escala necessárias para conter a crise. A economia mundial depende de combustíveis fósseis, é preciso encarar esse fato de maneira realista."  Yaghi venceu o Nobel por desenvolver uma estrutura capaz de absorver carbono da atmosfera, o que explica sua defesa. Mas uma busca por financiadores de suas pesquisas encontra a BASF, uma das maiores empresas químicas do mundo e que possui atuação relevante nas cadeias de petróleo, gás e petroquímica. Vale lembrar que uma investigação da ProPublica e da Drilled revelou que empresas de combustíveis fósseis financiam pesquisas climáticas em universidades de prestígio dos Estados Unidos há mais de 30 anos justamente para promover a viabilidade do CCS.

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