Chance de um “Super El Niño” no fim do ano sobe para 81%, diz a NOAA

Fenômeno climático surgiu no Pacífico no mês passado, continua a se intensificar e provavelmente será um dos mais fortes em mais de 75 anos.
9 de julho de 2026
super el niño noaa
Gustavo Mansur/Palácio Piratini
Resumo
  • 81% de chance de "Super El Niño" no fim do ano: a NOAA elevou a probabilidade do fenômeno se tornar muito forte entre outubro e dezembro. Deve ser um dos mais intensos em 75 anos e tem 97% de se estender até março de 2027.
  • Sinais de alerta nos modelos climáticos: a NOAA precisou ampliar a escala do seu principal gráfico de monitoramento de 4°C para 5°C, pois algumas simulações ultrapassaram o limite anterior. Um indício de quão intensa está se tornando a projeção do fenômeno.
  • Brasil na mira: o El Niño tende a provocar seca no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste, e mais chuvas no Sul. O de 2023-2024 causou duas secas históricas na Amazônia e as enchentes catastróficas no RS. Com um "Super El Niño" a caminho, o governo federal já está em alerta, especialmente para incêndios florestais.
  • A probabilidade do El Niño já em vigor se torne “super” aumentou. Uma nova análise do Centro de Previsão Climática (CPC) da Administração Atmosférica e Oceânica Nacional do Estados Unidos (NOAA) indica que agora há 81% de chances do fenômeno se tornar muito forte entre outubro e dezembro. Há cerca de um mês, a probabilidade era de 63%.

    Não para aí. O El Niño deste ano – que tem 97% de chance de se estender até março de 2027 – deve ser um dos mais fortes em 75 anos, destaca a Bloomberg. “Apenas sete eventos El Niño nos últimos 75 anos foram classificados como muito fortes. A expectativa é que este evento esteja entre os mais fortes do registro histórico que monitoramos”, disse ao USA Today Michelle L’Heureux, cientista física do Centro de Previsão Climática da NOAA.

    Nos últimos dias, uma mudança em um dos gráficos mais usados para acompanhar a evolução do El Niño chamou a atenção de meteorologistas, segundo O Globo. A NOAA ampliou de 4°C para 5°C a escala do gráfico que reúne as projeções do modelo climático CFSv2 para a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial. O motivo: algumas das simulações passaram a ultrapassar o limite máximo previsto na escala anterior.

    A alteração não significa que a agência tenha passado a prever oficialmente um El Niño com anomalias superiores a 4°C. O CFSv2 é apenas um dos modelos usados pela NOAA para monitorar o fenômeno e produzir projeções climáticas. Contudo, a necessidade de ampliar a escala do gráfico mostra o quanto as projeções do modelo vêm se intensificando nos últimos meses.

    Um El Niño mais forte não se traduz necessariamente em consequências climáticas mais graves, frisa a Folha. No entanto, essa classificação aumenta as chances de ocorrência dos impactos mais característicos do fenômeno, com tempestades, secas ou ondas de calor mais intensas, a depender da região do planeta. Somado às mudanças climáticas, o risco se intensifica.

    No Brasil, o El Niño costuma provocar seca nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e em parte do Sudeste, e mais chuvas no Sul. O último registro do fenômeno, entre 2023 e 2024, causou duas secas históricas na Amazônia e temporais consecutivos em maio de 2024 que deixaram quase todo o Rio Grande do Sul debaixo d’água. Com a nova previsão, ainda crescem as chances de um verão excepcionalmente quente em grande parte do país.

    A chegada do El Niño acendeu o alerta no governo federal. Em 2024, criminosos se aproveitaram da seca e do calor para atear fogo na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal, fazendo o país bater recorde de incêndios florestais. Por isso, o evento deste ano testará a preparação do Brasil para as chamas, destaca a Folha. Ainda mais se o “Super El Niño” se confirmar. 

    Reuters, Fortune, Poder 360 e Band também noticiaram a nova projeção da NOAA.

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