Brasil pode cortar até 40 GW renováveis por ano até 2030 por sobreoferta

País continuará produzindo mais energia do que demanda é capaz de absorver em alguns períodos, exigindo limitação da geração, diz o ONS.
13 de julho de 2026
setor bancário global continua financiando mais fósseis que renováveis
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Resumo
  • Brasil pode desperdiçar até 40 GW renováveis por ano: o ONS estima que cortes de geração eólica e solar por sobreoferta podem chegar a quase três vezes a capacidade de Itaipu entre 2027 e 2030. Em 2027, os cortes devem ocorrer em 19% das horas do ano, concentrados entre 7h e 15h e aos domingos.
  • Solução existe, mas chega atrasada: sistemas de armazenamento em baterias (BESS) resolveriam parte do problema, guardando o excesso para quando a demanda for maior. O leilão para contratá-los, prometido há dois anos, só acontece em dezembro, com entrega dos primeiros equipamentos apenas em 2028.
  • Paradoxo da transição brasileira: o país produz energia renovável demais para sua própria rede absorver e vai desperdiçá-la enquanto ainda queima combustíveis fósseis em termelétricas. O gargalo não é de geração, é de infraestrutura: transmissão insuficiente e armazenamento inexistente travam uma matriz que poderia ser referência global.
  • Entre 2027 e 2030, os cortes ​de geração de energia elétrica ​das usinas eólicas e solares realizados por motivos de sobreoferta podem chegar a 40 gigawatts (GW), quase três vezes a capacidade instalada da hidrelétrica de Itaipu. É o que estima o Operador ⁠Nacional do Sistema ⁠Elétrico (ONS).

    Na apresentação do Plano ​da ‌Operação Energética de 2026 ⁠a 2030, o ONS avaliou que os cortes de geração ‌classificados como “energéticos” ⁠vão ‌ser mais intensos e frequentes, à medida que o ⁠Brasil continuar ⁠a ter mais oferta de eletricidade ‌do que consumo, informam Canal Solar, Megawhat e CNN Brasil. Esse cenário exigirá reduções de geração para equilibrar o sistema elétrico ‌e garantir o fornecimento de energia aos consumidores.

    De acordo com o operador, os cortes tendem a se concentrar entre 7h e 15h, período de maior disponibilidade de geração solar e eólica. Os domingos devem concentrar os maiores níveis de cortes, devido ao menor consumo de energia elétrica. Além disso, os cortes seguirão mais intensos nos meses de maior safra de ventos (agosto, setembro e outubro).

    Apesar da possibilidade de cortes elevados, o ONS estima uma redução da frequência dos eventos ao longo do horizonte analisado. Em 2027, os cortes devem ocorrer em cerca de 19% das horas do ano, percentual que tende a cair para 14% das horas em 2030.

    Já as restrições por confiabilidade elétrica, relacionadas à segurança da operação do sistema de transmissão, deverão perder importância ao longo do horizonte analisado, caindo de 7% das horas em 2027 para 4% em 2030.

    Não custa lembrar que parte do problema seria resolvido com a instalação de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS, sigla em Inglês). Só que o leilão para contratação desses sistemas, prometido há cerca de dois anos, somente será realizado em dezembro. E com entrega dos primeiros equipamentos apenas em 2028.

    Enquanto o país desperdiça energia renovável, o Ministério de Minas e Energia (MME) continua insistindo na contratação de termelétricas a combustíveis fósseis. Usinas que produzem eletricidade suja e mais cara.

    Terra, Folha e Investing.com também repercutiram a previsão de corte de energia renovável até 2030.

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