Mudanças climáticas fazem eventos extremos se tornarem “normais” no Reino Unido

Mudanças climáticas intensificam a ocorrência de eventos extremos no Reino Unido, que registrou, em 2025, seu ano mais quente.
15 de julho de 2026
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Piqsels
Resumo
  • Clima extremo no Reino Unido: estudo divulgado nesta quarta-feira mostra que os últimos quatro anos foram os mais quentes já registrados no país, com 2025 sendo o mais quente desde 1884. A temperatura média da última década ficou 1,33°C acima da média do período 1961-1990.
  • Adaptação climática: Mike Kendon, autor principal do relatório, afirmou que o clima do século XX "já não existe mais" e destacou que infraestrutura, habitação, agricultura e sistemas de saúde ainda são baseados em um padrão climático que não corresponde mais às condições observadas atualmente.
  • Onda de calor: os alertas do estudo ganham urgência com as altas temperaturas que atingiram o Reino Unido e a Europa Ocidental nas últimas semanas, provocando mortes e incêndios florestais.
  • O que deveria ser excepcional e raro está se tornando cada vez mais recorrente. Um estudo divulgado nesta 4ª feira (15/7) pela agência meteorológica do Reino Unido, o Met Office, ressalta que o berço da Revolução Industrial convive hoje com os efeitos diretos desse processo sobre o clima, de forma cada vez mais intensa.

    Os últimos quatro anos foram os mais quentes já registrados no Reino Unido, e 2025 se consolidou como o mais quente da história desde o início dos registros, em 1884. Segundo o Met Office, a temperatura média britânica na última década foi 1,33°C acima da registrada entre 1961 e 1990.

    O Reino Unido registrou a primavera e o verão mais quentes de sua história em 2025. Na Inglaterra, a primavera do ano passado foi a mais seca em um século. Na capital, Londres, o número de dias com temperaturas acima de 30oC mais do que quadruplicou.

    “Estamos vivendo um momento de mudanças históricas e sem precedentes e, em termos de temperatura, em escalas de tempo anuais, sazonais, mensais e diárias, as evidências mostram que o clima do século XX já não existe mais”, comentou Mike Kendon, do Met Office, principal autor do relatório, à Sky News.

    A análise também reforça a importância da adaptação climática para garantir condições básicas de vida e de trabalho às pessoas em um cenário de clima extremo. “Grande parte da nossa infraestrutura, do parque habitacional, da agricultura e dos sistemas de saúde baseia-se num clima que já não é observado nas observações recentes”, destacou Kendon ao Guardian.

    A análise não poderia vir em momento mais apropriado. Como em boa parte da Europa Ocidental, o Reino Unido experimenta uma forte onda de calor que mantém as temperaturas muito acima da média e favorece a ocorrência e a disseminação de incêndios florestais em várias regiões.

    O Guardian também destacou a movimentação do prefeito de Londres, Sir Sadiq Khan, para estabelecer uma temperatura máxima para locais de trabalho como uma forma de reduzir a exposição de trabalhadores a problemas de saúde decorrentes do forte calor. O Reino Unido possui diretrizes de saúde e segurança sobre temperaturas mínimas no local de trabalho, mas não estabelece limites de temperatura máxima.

    Bloomberg, Financial Times e Reuters também repercutiram o relatório.

    • Em tempo: Na Itália, o calor intenso das últimas semanas provocou reação entre os entregadores, que iniciaram uma greve nesta 4ª feira (15) por  melhores condições de trabalho. A paralisação afetou várias partes do país, incluindo Milão, Bolonha e Florença. A Ansa deu mais detalhes. Já a BBC lembrou que pesquisas do Instituto Sindical Europeu sugerem que cerca de 130 milhões de trabalhadores estão expostos ao estresse térmico em toda a Europa, incluindo profissionais como motoristas e professores.

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