Amazônia enfrenta novo El Niño sem se recuperar de efeitos da seca de 2023-24

Estudo aponta que o bioma não conseguirá se recuperar da seca do último El Niño nem após sete anos.
20 de julho de 2026
seca amazonia jacqueline lisboa www brasil
Jacqueline Lisboa/WWF-Brasil
Resumo
  • Recuperação incompleta da Amazônia: com base em imagens de satélite, estudo estima que cerca de 53% das áreas intactas da Amazônia atingidas pela seca de 2023/24 não devem se recuperar plenamente nem após sete anos, prazo máximo observado historicamente para a floresta se recuperar desse tipo de evento.
  • Chuvas recentes não significam recuperação real: embora a La Niña de 2025 tenha trazido chuvas que restauraram o nível dos rios, isso não indica que a floresta voltou ao funcionamento normal, já que fatores como a evapotranspiração e a troca de carbono continuam comprometidos.
  • Novo Super El Niño ameaça floresta já fragilizada: a possível chegada de um "Super El Niño" no fim do ano preocupa cientistas, pois a repetição de eventos extremos, sem tempo de recuperação completa, tende a reduzir progressivamente a biomassa e a produtividade da floresta, comprometendo sua capacidade de reciclar água e de manter o microclima original.
  • A chegada do Super El Niño é motivo de preocupação para os cientistas que estudam a Amazônia. A recorrência cada vez maior e de grande intensidade desses eventos está colocando a maior floresta tropical do planeta sob forte estresse climático, deixando-a incapaz de se recuperar plenamente dos fenômenos extremos dos últimos anos.

    Um estudo publicado na revista PNAS destacado pela Folha estima que cerca de 53% das áreas intactas da Amazônia afetadas pela seca observada no último El Niño, entre 2023 e 2024, não devem se recuperar mesmo após sete anos do evento climático extremo. Esse é o tempo máximo que a floresta tem levado para se recuperar de episódios do tipo nos últimos 30 anos.

    A análise foi realizada com base na observação de imagens de satélite desse período, com atenção aos dados de umidade e de biomassa das plantas. Segundo a pesquisa, a seca de 2023/24 causou uma perda severa de umidade do dossel das árvores, uma queda da biomassa acima da média desde 1992, além de uma redução drástica nos níveis de água dos principais rios amazônicos. Junto com a seca, os incêndios florestais observados no último El Niño também contribuíram para deixar a floresta ainda mais seca.

    Em 2025, a ocorrência do La Niña permitiu um grande volume de chuvas na Amazônia, que recuperou seu nível de superfície de água anterior às secas, segundo dados do MapBiomas. No entanto, o aumento do nível dos rios não significa que a floresta retornou aos padrões anteriores de funcionalidade, que passam também por variáveis como o patamar de evapotranspiração e a troca de carbono realizada por sua vegetação. A recorrência de eventos extremos compromete exatamente essas condições de longo prazo para a recuperação, tornando a floresta cada vez mais vulnerável a períodos de seca.

    “A tendência é que a floresta vá perdendo biomassa ao longo do tempo, reduzindo sua produtividade, perdendo a capacidade de reciclar a água e de manter as características microclimáticas originais”, explicou Luiz Eduardo Oliveira e Cruz de Aragão, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

    Revista Amazônia, O Liberal e Onda Digital, entre outros, também abordaram o estudo.

    • Em tempo: Depois de sofrerem com os incêndios amazônicos no último El Niño, as autoridades brasileiras se desdobram para não serem surpreendidas pelo fogo. O orçamento federal para o manejo do fogo neste ano passou para R$ 1 bilhão, o que representa quase 30% de aumento em relação a 2025, o que permitiu a contratação de mais 4,4 mil brigadistas para combater as chamas. Ainda assim, o governo federal demonstra preocupação. “Não estou tranquilo. Estou muito alerta”, afirmou João Paulo Sotero, diretor de políticas de controle do desmatamento e queimadas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), ao Mongabay.

    Continue lendo

    Assine Nossa Newsletter

    Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

    Em foco

    Aprenda mais sobre

    Entenda as mudanças climáticas

    Você irá compreender os seguintes tópicos: o que é emergência climática sob o ponto de vista científico; quais são as principais implicações das mudanças climáticas no nosso dia a dia; como se constitui a geopolítica do clima; e quais são as possíveis soluções para as
    5 Aulas — 4h Total
    Iniciar