Novo premiê britânico pode autorizar exploração de petróleo e gás no Mar do Norte

No centro do debate estão dois campos de petróleo e gás na Escócia aprovados em 2022 e 2023, mas revogados em 2025 após uma contestação judicial.
20 de julho de 2026
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House of Commons via Wikimedia Commons
Resumo
  • Andy Burnham assume como novo premiê britânico e sinaliza aval a novas perfurações: empossado na 2ª feira (20/7), Burnham, o sétimo premiê do Reino Unido em 10 anos, pode autorizar perfurações nos campos escoceses Rosebank e Jackdaw, aprovados em 2022-2023, mas revogados em 2025 após contestação judicial, embora mantenha a promessa trabalhista de não emitir novas licenças de exploração.
  • Governo tenta equilibrar pressão por preços mais baixos e compromisso climático: a vice-líder do Partido Trabalhista, Lucy Powell, afirmou que os combustíveis fósseis do Mar do Norte farão parte da matriz energética britânica, mas insistiu que Burnham manterá a proibição de novas licenças. Ed Miliband, ex-secretário de Energia, assume o cargo de Relações Exteriores e mantém-se defensor da agenda de neutralidade de carbono.
  • Ativistas classificam a sinalização como incoerente diante da crise climática: Flossie Boyd, da Global Witness, criticou a possível aprovação de mais produção de petróleo e gás em meio a incêndios florestais e ondas de calor no país, defendendo o investimento em eólica e solar em vez de novas licenças em áreas já concedidas.
  • Tomou posse na 2ª feira (20/7) o novo primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, em substituição ao também trabalhista Keir Starmer. Burnham é o sétimo premiê britânico em 10 anos. E uma das incógnitas de sua política para o país envolve a indústria de petróleo e gás.

    Segundo a BBC, Burnham anunciará planos para novas perfurações no Mar do Norte. O manifesto do Partido Trabalhista para 2024, que o novo líder disse seguir, prometia não emitir novas licenças, mas honrar as existentes. No centro do debate estão dois campos de petróleo e gás na Escócia, Rosebank e Jackdaw. Ambos foram aprovados pelos reguladores em 2022 e 2023 durante o então governo conservador do Reino Unido, mas foram revogados em 2025 após uma contestação judicial.

    O Financial Times informa que Burnham manterá a proibição de novas licenças de exploração na região. Com a nova administração sob pressão para reduzir as contas das famílias, a vice-líder do partido, Lucy Powell, afirmou no domingo (19/7) que os combustíveis fósseis do Mar do Norte farão parte da matriz energética britânica.

    Mas ela insistiu que Burnham não revogaria a promessa do Partido Trabalhista de encerrar novas licenças de exploração no Mar do Norte. “Andy deixou claro que mantém as políticas do nosso programa eleitoral quanto a isso.”

    Ontem o novo primeiro-ministro anunciou alguns nomes de seu gabinete. Ed Miliband, secretário de Energia de Starmer, assumirá a pasta de Relações Exteriores, informa o Guardian. Ex-líder trabalhista, Miliband tem sido um defensor proeminente da agenda de neutralidade de carbono do Reino Unido e continua a apoiar a transição para energia renovável do governo enquanto assume um dos cargos diplomáticos mais elevados do país, segundo o Invezz.

    Mesmo que Burnham não conceda novas licenças para exploração de combustíveis fósseis no Mar do Norte, a mera possibilidade do premiê autorizar perfurações em áreas já concedidas é motivo de crítica. Para Flossie Boyd, ativista sênior da Global Witness, os novos planos de Burnham para o petróleo no Mar do Norte são “de deixar qualquer um boquiaberto”.

    “Enquanto bombeiros combatem incêndios florestais por todo o país e famílias temem pelo futuro de seus filhos após três ondas de calor intensas, é incompreensível que Andy Burnham pareça prestes a aprovar a produção de petróleo e gás que impulsiona esses extremos climáticos. Mais petróleo e gás no Mar do Norte não apenas destruiria nossas pretensões de liderança climática, como também não faria nada para reduzir as contas de energia, impulsionar a economia ou criar empregos. Os únicos beneficiados com esse erro moral e político seriam as gigantescas empresas de combustíveis fósseis”, disse Flossie.

    “Os combustíveis fósseis pertencem ao passado. Se Burnham quer proteger as famílias e salvaguardar a nossa segurança energética, precisa de deixar o petróleo e o gás no subsolo e, em vez disso, impulsionar o investimento em energia eólica, solar e empregos verdes no Reino Unido”, completou.

    Telegraph, Daily Mail, CNN Brasil e CNBC também repercutiram os planos de Andy Burnham.

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