Barril do petróleo volta a superar US$ 90 com novas tensões no Oriente Médio

Brent pode subir para mais de US$ 120 no 4º trimestre se as interrupções no Estreito de Ormuz persistirem, avalia o Goldman Sachs.
21 de julho de 2026
brent petróleo
Schmucki/Pixabay
Resumo
  • Petróleo volta a superar US$ 90 com escalada no Oriente Médio: o Brent fechou a 3ª feira (21/7) a US$ 91,01 por barril (alta de 2,01%), pela primeira vez acima de US$ 90 em cerca de um mês, com o Estreito de Ormuz travado por ataques entre EUA e Irã e bloqueios dos Houthis a navios sauditas no Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho.
  • Exportações sauditas caem pelo terceiro mês consecutivo: as vendas de petróleo da Arábia Saudita recuaram para 3,434 milhões de barris/dia em maio (ante 3,986 milhões em abril), um nível recorde de baixa, segundo a JODI, mesmo com a produção em recuperação. E dois navios-tanque já inverteram rota no Mar Vermelho devido ao bloqueio imposto pelos Houthis.
  • IEA alerta e Goldman Sachs projetam Brent a US$ 120: a Agência Internacional de Energia sinalizou risco crescente ao fornecimento global e pode cogitar liberar estoques estratégicos caso Ormuz não reabra; o Goldman Sachs avalia que o Brent pode chegar a US$ 120 no 4º trimestre se as interrupções persistirem.
  • A continuidade dos ataques entre Estados Unidos e Irã travou de vez o Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de 20% do petróleo produzido no mundo. Some-se a isso o bloqueio a navios com petróleo da Arábia Saudita pelos Houthis – grupo rebelde do Iêmen apoiado por Teerã – no Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, e o resultado é uma nova escalada na cotação do combustível fóssil. Que voltou a fechar a sessão acima de US$ 90, o que não acontecia há cerca de um mês.

    Referência internacional, o petróleo tipo Brent com vencimento em setembro teve alta de 2,01%, fechando a 3ª feira (21/7) cotado a US$ 91,01 por barril. O WTI (a referência dos EUA) com entrega prevista para o mesmo mês subiu 2,02%, para US$ 84,91 por barril, detalha o Valor.

    Com as idas e vindas do conflito, os petroestados do Golfo Pérsico aliados de Washington estão cada vez mais frustrados com a intensificação das hostilidades entre EUA e Irã, que, cada vez mais colocam em risco sua segurança e economias, destaca a Bloomberg. Apesar da exasperação, os países do Golfo divergem sobre o que os estadunidenses deveriam fazer. Enquanto alguns defendem mais agressividade, outros, como o Catar, país que atua como mediador do conflito, desejam um recuo imediato nos ataques ao território iraniano.

    Os efeitos econômicos negativos da guerra sobre os petroestados são ilustrados pelas exportações de petróleo da Arábia Saudita. As vendas de combustíveis fósseis sauditas caíram pelo terceiro mês consecutivo em maio, atingindo um nível recorde de baixa, segundo dados da Joint Organizations Data Initiative (JODI), informa a Reuters. As exportações caíram para cerca de 3,4 milhões de barris por dia (bpd) em maio, ante 3,98 milhões de barris por dia em abril. A queda ocorreu mesmo com a recuperação da produção de petróleo do país, que atingiu 6,560 milhões de bpd em maio, recuperando-se da mínima histórica de 6,316 milhões de barris por dia, registrada em abril.

    Os sauditas enfrentarão agora uma dificuldade a mais para suas vendas. O Estreito de Bab el-Mandeb é uma rota de exportação fundamental para o país e permaneceu amplamente navegável durante todo o conflito entre os EUA e o Irã, lembra a CNN Brasil. Agora, com o bloqueio dos Houtis ao estreito, dois navios-tanque que transportavam petróleo do país para a Ásia inverteram a rota no Mar Vermelho ontem, segundo o Valor. Algo que deve continuar acontecendo nos próximos dias.

    Em um comunicado, a Agência Internacional de Energia (IEA) alertou para um risco crescente no fornecimento de energia após a escalada da guerra no Oriente Médio, informam Bloomberg, Xinhua e Reuters. Segundo o Financial Times, a declaração alimentou especulações quanto à IEA estar examinando possíveis opções caso Ormuz não seja aberto rapidamente, incluindo novas liberações de estoques de petróleo por parte dos membros.

    Enquanto isso, o banco Goldman Sachs alertou que o barril do Brent pode chegar a US$ 120 no 4º trimestre se as interrupções em Ormuz persistirem, informa o Valor.

    • Em tempo: O fechamento do Estreito de Ormuz provocou choques no mercado global de combustíveis fósseis e forçou economias mundiais a buscar alternativas energéticas. Mas, se no curto prazo, países recorreram ao carvão ou a estoques de petróleo para suprir suas necessidades imediatas, o conflito deixou clara a necessidade de avançar na transição ao mesmo tempo em que se busca segurança energética, destaca a jornalista Mariana Larrubia no Jota. “A guerra escancara a necessidade de segurança energética. Ela joga a urgência da transição energética numa componente econômico-financeira, não apenas climática”, reforçou Alexandre Gaspari, especialista em energia do ClimaInfo, que também destacou os sistemas de armazenamento de energia, cada vez mais competitivos. “Um dos principais elementos para acelerar a transição energética é o barateamento dos sistemas de armazenamento de energia, que são a grande chave para garantir um fornecimento firme das fontes eólica e solar.”

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