Derretimento de gelo marinho volta a acelerar no Ártico

Apesar da desaceleração observada nos últimos anos, a taxa de degelo deve dobrar nos próximos cinco a dez anos.
21 de julho de 2026
Ártico ano mais quente
Bryan Rodriguez / Unsplash
Resumo
  • Fim da "pausa" no derretimento do gelo ártico: um novo estudo publicado na PNAS mostra que a aparente desaceleração no declínio do gelo marinho ártico observada desde o início dos anos 2020 foi interrompida por mínimas históricas em 2025 e no início de 2026. Entre 2024 e 2025, a extensão do gelo no inverno caiu 5,8% - a maior queda anual já registrada desde 1978.
  • Tendência de declínio de longo prazo se confirma: segundo os autores, ao incluir os dados de 2025 e 2026, a tendência de 20 anos volta a mostrar um declínio estatisticamente significativo. O que parecia uma pausa foi, na verdade, apenas uma desaceleração temporária em um processo contínuo de perda de gelo.
  • Perspectivas preocupantes para o futuro: modelos climáticos indicam ser improvável que o gelo marinho retorne aos níveis do início dos anos 2020, com possibilidade de aceleração da perda nas próximas décadas, podendo até dobrar em cenários mais pessimistas.
  • O alívio de alguns cientistas com uma possível desaceleração do derretimento do gelo marinho no Ártico parece ter chegado ao fim. Um estudo publicado na revista PNAS sugere que a “pausa” no declínio do gelo marinho ártico durante o inverno observada desde o início dos anos 2020 foi interrompida após mínimas históricas na cobertura de gelo em 2025 e no início de 2026.

    Entre 2024 e 2025, a extensão do gelo marinho no Ártico, no pico do inverno, de fevereiro a março, caiu 5,8%. Essa foi a maior queda anual no inverno já registrada por imagens de satélite desde 1978. Em 2026, o gelo marinho no pico da estação fria apresentou uma leve recuperação, mas permaneceu no segundo menor nível já registrado.

    Os dados mostram uma mudança em relação ao que vinha sendo observado desde 2020. No início desta década, a taxa de perda de gelo marinho pareceu desacelerar durante grande parte do ano no Ártico. Não que o gelo estivesse se recuperando aos níveis pré-aquecimento global, mas, em comparação com as perdas rápidas observadas nas décadas anteriores, o ritmo de degelo parecia mais lento.

    Para Duo Chan, autor principal do estudo e pesquisador da Universidade de Southampton, no Reino Unido, a aparente pausa é apenas uma desaceleração temporária no contexto de um declínio de longo prazo. “Ao incluir os invernos de 2025 e 2026, a tendência de 20 anos na extensão do gelo marinho no Ártico volta a apresentar um declínio estatisticamente significativo. Agora podemos ter mais confiança de que a tendência [de queda] é real e que o declínio ainda está em curso”, explicou em artigo no The Conversation.

    Segundo os pesquisadores, se o panorama de aquecimento global continuar, os modelos climáticos sugerem que é improvável que o gelo marinho volte aos níveis mais altos observados no início dos anos 2020. A expectativa é de um retorno à tendência geral das décadas anteriores, com possível aceleração na taxa de perda de gelo marinho na próxima década. Nos piores cenários, essa taxa poderia até mesmo dobrar em relação ao observado no início desta década.

    “A lição, pelo menos para as observações de inverno, é que a perda de gelo marinho no Ártico não parou. A aparente desaceleração parecia real na época, mas agora se assemelha mais a uma pausa do que a uma mudança duradoura. A variabilidade de curto prazo pode mascarar temporariamente o declínio, mas não elimina a pressão subjacente do aquecimento do Ártico”, observaram os autores do estudo.

    Daily Mail, Guardian, Independent, Phys e Sky News repercutiram o estudo.

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