El Niño ameaça colapsar Grande Barreira de Corais

Cientistas alertam para o risco muito alto de branqueamento extremo e generalizado sob o “Super El Niño”.
22 de julho de 2026
el niño grande barreira de corais
Eric Matson via AIMS
Resumo
  • Risco de colapso ecossistêmico: cientistas alertam que a Grande Barreira de Corais da Austrália corre um risco muito alto de branqueamento extremo e generalizado, com possibilidade de colapso ecossistêmico e de extinções localizadas de espécies, devido à formação de um "Super El Niño" neste ano.
  • Histórico e causas: o aquecimento dos oceanos, ligado às mudanças climáticas, já causou seis ondas de branqueamento em massa na Grande Barreira desde 2016 (a última ocorreu entre 2024 e 2025). O branqueamento repetido enfraquece os corais, e com o calor adicional do El Niño, existe o risco de o ecossistema perder a capacidade de se recuperar.
  • Crítica à inação climática: para os cientistas, a degradação dos corais evidencia o descontrole climático e a falta de ação efetiva dos governos contra o consumo de combustíveis fósseis.
  • A Grande Barreira de Corais da Austrália, uma das maiores estruturas vivas do mundo, corre um risco muito alto de branqueamento extremo e generalizado e de colapso ecossistêmico por conta do “Super El Niño” que está se formando. O alerta é de um grupo de cientistas, que indica a possibilidade de extinções localizadas de algumas espécies de corais dentro da Grande Barreira.

    “É muito provável que vejamos um branqueamento em massa de larga escala e de gravidade na Grande Barreira de Corais”, afirmou Morgan Pratchett, da Universidade James Cook de Queensland (Austrália), durante o Simpósio Internacional sobre Recifes de Coral, realizado em Auckland, na Nova Zelândia, citado pela AFP.

    O branqueamento é um problema cada vez mais frequente entre os corais, inclusive na Grande Barreira. Com o aquecimento dos oceanos, decorrente das mudanças climáticas causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis, as condições ambientais têm se tornado cada vez mais desfavoráveis à sobrevivência de diversas espécies de coral. Desde 2016, a Grande Barreira experimentou seis ondas de branqueamento em massa, sendo que a última ocorreu entre 2024 e 2025.

    Apesar de não ser necessariamente fatal, o branqueamento prolongado e repetido enfraquece os corais, podendo resultar na morte de colônias inteiras. Com a perspectiva de mais calor no Pacífico por conta do El Niño, o risco é de que a próxima onda de branqueamento seja tão intensa que o ecossistema não tenha mais condições de se recuperar, sofrendo um colapso generalizado.

    Para os cientistas, a perda dos corais na Grande Barreira é um forte sinal do descontrole climático e da falta de vontade dos governos em enfrentar efetivamente a causa do problema – o consumo de combustíveis fósseis.

    “Se você estivesse em um grande navio, como o Titanic, e alguém se aproximasse e dissesse que o navio estava afundando, você entraria imediatamente em um bote salva-vidas. Não estamos fazendo isso. O navio está afundando de forma realmente catastrófica e não estamos percebendo a gravidade da situação”, lamentou Ove Hoegh-Guldberg, professor da Universidade de Queensland.

    Folha e Jornal de Brasília também noticiaram o alerta sobre a Grande Barreira de Corais.

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