Governo alega o El Niño para antecipar térmicas a combustíveis fósseis

Contratação de cinco termelétricas que seriam acionadas futuramente vai aumentar custo da conta de luz em R$ 4,75 bilhões, além das emissões.
26 de julho de 2026
emissões combustíveis fósseis recorde 2025
Domínio Público (Pixabay via Pexels)
Resumo
  • Governo antecipa térmicas fósseis alegando risco do El Niño: o CMSE aprovou a antecipação, a partir de 1º de setembro, da geração de 1,8 GW de cinco termelétricas movidas a combustíveis fósseis, justificando a medida com o risco do El Niño e incertezas geopolíticas, como a guerra entre EUA e Irã, que elevaram os preços de petróleo e gás. O impacto na conta de luz será de R$ 4,75 bilhões.
  • Petrobras e Âmbar Energia concentram as usinas: das cinco térmicas, quatro rodam a gás e uma a diesel. Três delas são da Petrobras, e duas são da Âmbar Energia, dos irmãos Batista. As contratações, previstas originalmente para começar entre dezembro de 2026 e janeiro de 2028, agora terão prazo estendido.
  • MME diz ter priorizado menor custo entre os interessados: o ministério consultou 13 empreendimentos, dos quais seis se manifestaram e cinco foram selecionados, com base em critérios operacionais definidos pelo ONS e no menor custo aos consumidores. Mas, na prática, decisão significa mais emissões do setor elétrico brasileiro em nome da segurança energética.
  • O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovou a antecipação da geração de 1,8 gigawatts (GW) de cinco termelétricas movidas a combustíveis fósseis vencedoras de leilões de reserva de capacidade. A justificativa: reforçar o sistema elétrico contra possíveis impactos do El Niño e de incertezas geopolíticas que afetam o preço dos combustíveis, como a guerra entre Estados Unidos e Irã, que elevou o preço do petróleo e do gás fóssil, destaca a eixos.

    A medida entra em vigor em 1º de setembro, segundo a Agência Brasil. E causará um impacto de R$ 4,75 bilhões nas contas de luz, informa o Estadão. Sem falar que a operação dessas usinas queimará combustíveis fósseis, aumentando as emissões de gases de efeito estufa do setor elétrico brasileiro. Em resumo: energia cara e suja.

    Das cinco usinas antecipadas, quatro são do leilão de reserva de capacidade na forma de potência (LRCAP) de 2026. Quatro são movidas a gás e uma é abastecida com óleo diesel. Originalmente, as contratações começariam entre dezembro de 2026 e janeiro de 2028. Com a antecipação, a duração dos contratos será estendida.

    Três usinas são da Petrobras: Termomacaé (RJ), Termoceará Diesel (CE) e Três Lagoas (MS). As outras duas são da Âmbar Energia, dos irmãos Joesley e Wesley Batista: Araucária (PR) e Manaus I (AM). Esta última foi contratada no Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Energia (LRCE), realizado em 2022.

    O Ministério de Minas e Energia (MME) consultou 13 empreendimentos sobre a possibilidade de antecipação, dos quais seis manifestaram interesse e cinco foram selecionados, segundo a pasta. “A seleção final priorizou projetos compatíveis com os requisitos operacionais indicados pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e que ofereciam o menor custo para os consumidores”, disse o órgão.

    • Em tempo: O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou uma portaria para operacionalizar o ressarcimento aos geradores eólicos e solares pelos cortes compulsórios de geração (curtailments), que vêm ocorrendo desde agosto de 2023. Embora a portaria estabeleça o procedimento para compensação financeira dos cortes classificados como indisponibilidade externa e confiabilidade elétrica entre setembro de 2023 e novembro de 2025, o texto deixa de fora um dos principais pleitos das associações do setor, que é a revisão do tratamento dos cortes por sobreoferta de energia, destaca a eixos.

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