Jabutis em projeto no Senado podem custar até R$ 1,5 trilhão na conta de luz

Este é o impacto da aprovação de PL nº 5.027/19 que obriga contratação de usinas termelétricas a gás e pequenas hidrelétricas, segundo a Abrace.
27 de julho de 2026
plano clima recursos financeiros metas
Jefferson Rudy/Agência Senado
Resumo
  • PL com "jabutis" pode custar até R$ 1,3 tri: o PL nº 5.027/2019, originalmente voltado a descontos na tarifa de irrigação, foi alterado no Senado por um substitutivo que prevê contratação obrigatória de termelétricas a gás e PCHs. Segundo a ABRACE, isso pode custar até R$ 1,3 trilhão em 30 anos aos consumidores.
  • Tramitação relâmpago e impactos anuais: aprovado às pressas na Comissão de Serviços de Infraestrutura, o texto mexe na Lei de Desestatização da Eletrobras, na Lei do Petróleo e na microgeração distribuída, ampliando subsídios e obrigando à expansão do gás fóssil. O custo é estimado em R$ 44,2 bilhões anuais na conta de luz a partir de 2032, podendo chegar a R$ 54,9 bilhões se somadas outras flexibilizações.
  • Reação do setor e "jabutis zumbis": muitas das medidas já haviam sido rejeitadas pelo Congresso, mas voltam a ser propostas repetidamente. Paulo Pedrosa (ABRACE) e Victor Iocca criticam o projeto por prejudicar os consumidores e o próprio setor elétrico, favorecendo poucos players do gás fóssil. Abrace e outras oito associações enviaram uma carta ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cobrando atenção ao problema.
  • Quando o assunto é eletricidade, o Congresso Nacional segue ignorando os interesses da população em favor de grupos econômicos e interesses escusos. Um cálculo feito pela Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (ABRACE) estimou que a aprovação do Projeto de Lei nº 5.027/2019, com “jabutis” que preveem a contratação obrigatória de usinas termelétricas a gás e de pequenas centrais hidrelétricas, pode custar até R$ 1,3 trilhão nos próximos 30 anos aos consumidores brasileiros. 

    Originalmente, o PL apenas alterava uma lei para ampliar o desconto na tarifa de energia para irrigação e para poços semiartesianos. Depois da aprovação pela Câmara dos Deputados, o projeto se arrastou por anos no Senado. No entanto, ele foi ressuscitado repentinamente pelos senadores em uma tramitação relâmpago na Comissão de Serviços de Infraestrutura no último dia 14, com substitutivo repleto de elementos totalmente fora do escopo original da proposta, os famosos “jabutis”.

    Como a Folha assinalou, essas emendas mexem na Lei de Desestatização da Eletrobras, na Lei do Petróleo e na legislação da microgeração distribuída. Como resultado, a nova proposta amplia subsídios, obriga a contratação de térmicas e de PCHs, impõe a expansão da infraestrutura de gás fóssil, entre outras maldades. O preço da brincadeira? R$ 44,2 bilhões anuais na conta de luz a partir de 2032, custo que subiria para R$ 54,9 bilhões anuais se somado às flexibilizações da legislação que desestatizou a Eletrobras.

    Vários dos jabutis inseridos no PL são verdadeiros “zumbis” políticos: propostas já debatidas em outras ocasiões, mas que não foram aprovadas pelo Congresso. Um exemplo é a exigência de construção de termelétricas onde não há redes de gasoduto ou de transmissão.

    “Eles [jabutis] não morrem nem com estaca no coração. É um jogo difícil. Alguns já foram derrubados uma dezena de vezes e continuam voltando. A ironia é que se eles ganham uma vez, ganham para sempre. Isso não vale para os consumidores”, afirmou Paulo Pedrosa, presidente da ABRACE. 

    Além de prejudicar os consumidores, a proposta do Senado contraria os interesses do próprio setor elétrico em prol de benefícios para poucos atores, especialmente do mercado de gás fóssil. “O PL [se aprovado] contribui ainda mais para destruir o próprio setor elétrico. Este é um processo que torna o setor ainda menos competitivo e prejudica a indústria nacional como um todo, além da sociedade em geral”, reforçou Victor Iocca, diretor de energia elétrica da ABRACE, ao Estadão

    Na última 6ª feira (24), a ABRACE e outras oito associações enviaram uma carta ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), manifestando preocupação com os jabutis incluídos no substitutivo ao PL 5.017. A CNN Brasil deu mais detalhes.

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