Mais de 80% de Áreas Protegidas na Amazônia registraram desmatamento zero no 1º semestre

Segundo o Imazon, o dado reflete a redução substancial do desmatamento em toda a Amazônia no período, cujo índice foi o menor dos últimos oito anos.
27 de julho de 2026
flona jamanxim 2
Fábio Nascimento / Greenpeace
Resumo
  • Resultado positivo nas Áreas Protegidas: dados do SAD/Imazon mostram que 588 áreas protegidas (330 Terras Indígenas e 258 Unidades de Conservação) tiveram desmatamento zero no 1º semestre de 2026 — mais de 80% do total —, com apenas 97,37 km² desmatados nessas áreas, a menor área para um primeiro semestre em oito anos.
  • Queda geral na Amazônia: entre janeiro e junho, foram desmatados 1.145 km², 10% a menos do que em 2025 e 76% a menos do que em 2022 (o pior ano da série). No "ano-calendário" (ago/2025 a jun/2026), a queda foi de 28% frente ao período anterior e de 75% frente a 2021-2022, reforçando o efeito da retomada da fiscalização federal.
  • Exceções preocupantes: a APA Triunfo do Xingu (PA) concentrou 47,85 km² desmatados — quase metade do total das Áreas Protegidas — e a FLONA do Jamanxim, cuja área foi reduzida pelo Congresso em julho, quando perdeu 3,45 km².
  • O combate ao desmatamento na Amazônia continua a mostrar resultados positivos. Dados de satélite do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon indicam que mais de 80% das Áreas Protegidas na Amazônia registraram desmatamento zero entre janeiro e junho deste ano, com a menor área de floresta derrubada nos 1º semestre dos últimos oito anos.

    De acordo com o SAD, 588 Áreas Protegidas zeraram o desmatamento no último semestre, sendo 330 Terras Indígenas (TI) e 258 Unidades de Conservação (UC). Apenas uma TI e sete UCs tiveram desmatamento superior a 1 km². Ao todo, as Áreas Protegidas registraram 97,37 km² de floresta desmatada, o que representa apenas 8% do desmatamento registrado em toda a Amazônia, sendo 9,38 km² em TIs e 87,99 km² em UCs.

    Em toda a Amazônia, foram desmatados 1.145 km² entre janeiro e junho de 2026, 10% a menos do que no mesmo período do ano passado. Na comparação com 2022, o pior ano da série histórica desde 2008, essa redução é ainda mais substancial, de 76%. Isso evidencia o impacto da retomada das atividades de fiscalização e combate ao desmatamento pelo governo federal na gestão atual, bem como um contraste gritante com a omissão criminosa do governo passado.

    Em relação ao “ano-calendário” do desmatamento, que vai de agosto a julho, os números dos últimos 11 meses reforçam o resultado positivo da fiscalização. Entre agosto de 2025 e junho de 2026, 2.258 km² de floresta foram derrubados na Amazônia, 28% a menos do que no período anterior e 75% a menos do que entre agosto de 2021 e junho de 2022.

    Na contramão desses resultados positivos, duas áreas em especial registraram números preocupantes. Na Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu (PA), foram desmatados 47,85 km² entre janeiro e junho, o que representa cerca de metade do desmatamento em todas as áreas protegidas da Amazônia. E na Floresta Nacional (FLONA) do Jamanxim, cuja extensão foi reduzida de forma sorrateira pela aliança Centrão-ruralistas no Congresso Nacional no começo de julho, foram derrubados cerca de 3,45 km² de floresta.

    “A aprovação desse projeto mostra que o Congresso Nacional está legislando para favorecer um pequeno grupo de pessoas que invadiu ilegalmente essa UC após sua criação, em 2006. As Unidades de Conservação são importantíssimas para conter o desmatamento e a crise climática. Por isso, esse projeto precisa ser vetado pela Presidência”, reforçou Larissa Amorim, coordenadora do SAD.

    Os dados do Imazon sobre o desmatamento na Amazônia tiveram destaque em Brasil de Fato, Canal Rural, CNN Brasil, Exame, Gigante 163, O Liberal e Pará Terra Boa, entre outros.

    • Em tempo: A redução da área da FLONA do Jamanxim atende diretamente aos interesses do agronegócio e do garimpo no oeste do Pará. O Brasil de Fato lembrou que a unidade já teve cerca de 380 mil hectares, 30% do seu território atual, queimados nos últimos 40 anos. Jamanxim foi uma das áreas que mais sofreram com o infame “Dia do Fogo”, em agosto de 2019, quando fazendeiros aproveitaram a falta de fiscalização do governo federal na gestão passada para espalhar fogo em áreas de interesse para a produção agropecuária ou para o garimpo. A impunidade dos que provocaram o fogo reforçou a atuação desses atores para pressionar pelo desmonte da FLONA.

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