Incêndios na Espanha se tornaram 20 vezes mais prováveis sob mudanças climáticas, diz estudo

Temperaturas médias 1,4°C mais altas do que na era pré-industrial potencializaram as condições para o fogo, com ar quente e seco e ventos fortes.
2 de agosto de 2026
combustíveis fósseis clima segurança global
jplenio1/ Freepik
Resumo
  • Mudanças climáticas ampliam drasticamente o risco de incêndios: estudo de atribuição da World Weather Attribution mostrou que o aquecimento global tornou os incêndios na Gironda (França) pelo menos duas vezes mais prováveis, enquanto o fogo perto de Madri tornou-se 20 vezes mais provável. Com o planeta 1,4°C mais quente, eventos como o de Bordeaux, antes raros, agora podem ocorrer a cada 20 anos, e o de Madri, a cada 6 anos.
  • Início precoce da temporada e sincronia dos incêndios: pesquisadores destacaram que os incêndios ocorreram ainda no início da temporada, o que é preocupante diante das novas ondas de calor previstas. O aquecimento global não só aumenta a probabilidade de incêndios extremos, mas também sua sincronicidade, com focos simultâneos em diferentes regiões.
  • Riscos à saúde e tendência futura: especialistas alertam que a poluição atmosférica gerada pelos incêndios, especialmente as partículas finas, pode forçar milhares de pessoas a ficarem em casa devido à piora da qualidade do ar. 
  • As mudanças climáticas causadas pela queima de combustíveis fósseis “anabolizaram” as chances de ocorrência dos incêndios florestais que devastaram partes da Espanha e da França no último mês, de acordo com estudo de atribuição da rede World Weather Attribution (WWA) divulgado na última 5ª feira (30/7).

    Segundo a análise, os incêndios na região de Gironda, na costa sudoeste da França, tornaram-se pelo menos duas vezes mais prováveis sob as atuais condições de aquecimento global. Já o fogo nos arredores de Madri seria virtualmente impossível sem as mudanças climáticas, que o tornaram pelo menos 20 vezes mais provável. 

    Com o planeta cerca de 1,4°C mais quente do que no período pré-industrial, a ocorrência desses eventos tornou-se muito mais frequente. De acordo com a WWA, um incêndio com a intensidade que atingiu Bordeaux pode ocorrer a cada 20 anos; no caso do fogo em Madri, a cada seis anos. 

    “O que é singular nos incêndios de julho na Espanha e na França é que ainda estamos no início da temporada e, com outra onda de calor iminente, essas descobertas são extremamente assustadoras. O que estamos vendo é um sinal claro dos impactos crescentes do aquecimento global [causado pelo homem]”, ressaltou Clair Barnes, pesquisadora do Imperial College London e uma das autoras do estudo, ao Guardian.

    O estudo também ressalta outro fator por trás da força dos incêndios de julho na Europa Ocidental, os invernos e primaveras mais chuvosos. Segundo a análise, as condições mais úmidas na temporada chuvosa estão impulsionando o crescimento da vegetação, que resseca no outono e se incendeia no verão. 

    “Quando incêndios florestais eclodem simultaneamente em diferentes regiões, fica claro que as mudanças climáticas provocadas pelo homem não estão apenas aumentando a probabilidade de incêndios extremos, mas também sua sincronicidade”, comentou Andreia Ribeiro, cientista do clima do Helmholtz Center (Alemanha) e outra autora do estudo, à Folha

    Com a recorrência desse tipo de evento, outra preocupação levantada pelos pesquisadores da WWA é a poluição atmosférica decorrente do fogo. Como a pesquisadora María José Sanz, do Centro Basco de Mudança Climática, ressaltou ao g1, os incêndios liberam poluentes, especialmente partículas finas, e podem obrigar milhares de pessoas a permanecer em suas casas devido à piora da qualidade do ar. “Esses incêndios vão passar a fazer parte da nossa realidade”, observou.

    O estudo de atribuição também foi destacado por veículos como AFP, Associated Press, Bloomberg, El País, Euronews, Independent, Mongabay e Reuters.

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