Mais de mil pessoas seguem fora de casa uma semana após temporais no RS

Dados da Defesa Civil indicam 783 desalojados e 367 desabrigados em todo o estado; chuvas devem voltar a se intensificar nos próximos dias.
3 de agosto de 2026
rio grande do sul chuvas 5
MAÍ YANDARA / MÍDIA NINJA
Resumo
  • Situação delicada no RS: mais de mil pessoas seguem fora de casa em 148 municípios afetados pelas chuvas de fim de julho, com destaque para Eldorado do Sul e cidades do Vale do Taquari. Os rios Jacuí, Gravataí e dos Sinos ainda registram pontos de inundação.
  • Mais chuvas a caminho: chuvas e temporais de até 70 mm devem atingir o oeste gaúcho nesta semana, e o INMET prevê a formação de um ciclone extratropical no fim de semana, com ventos de até 90 km/h no RS e rajadas de até 80 km/h em áreas do MS, PR e SC.
  • Debate sobre adaptação climática: embora as chuvas de julho tenham sido menos intensas do que as de maio de 2024, a recorrência desses eventos reforça o argumento de que não são "desastres naturais", mas sim consequência das mudanças climáticas, levando ativistas a defenderem a decretação de estado permanente de emergência climática no estado.
  • O Rio Grande do Sul ainda vive os reflexos das fortes chuvas das últimas semanas de julho. Segundo a Defesa Civil gaúcha, mais de mil pessoas seguem fora de suas casas, e 148 municípios registraram danos desde a última 2ª feira (27/7), informa o g1. Há 783 pessoas desalojadas, sendo 320 apenas no município de Eldorado do Sul. Outras 367 estão desabrigadas em 13 cidades, a maioria no Vale do Taquari.

    Apesar do alívio das chuvas na maior parte do estado no final de semana, os níveis dos rios seguem preocupantes. As bacias dos rios Jacuí, Gravataí e dos Sinos ainda registram pontos de inundação.

    Com a volta das chuvas nesta semana, a Defesa Civil alertou para temporais no oeste gaúcho, onde a precipitação de até 70 milímetros pode ser acompanhada de ventos. Segundo a METSUL, a instabilidade deve persistir nos próximos dias, avançando por todo o estado e provocando chuvas em diferentes pontos. Apesar disso, não se esperam volumes elevados na maioria dos municípios gaúchos, informa o Correio do Povo.

    Contudo, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) prevê a formação de um ciclone extratropical no final da semana, com potencial para provocar ventos intensos. Segundo o meteorologista Francisco de Assis, os ventos devem chegar a 90 km/h em alguns locais do estado.

    O fenômeno, porém, não ficará restrito ao território gaúcho. A frente fria associada ao ciclone deve favorecer uma frente de rajadas, com ventos próximos de 80 km/h entre o sul do Mato Grosso do Sul, o oeste e o sul do Paraná e em áreas de Santa Catarina, informam CNN Brasil e Globo Rural.

    A intensidade das chuvas de julho no RS foi bem menor do que a dos temporais históricos de maio de 2024. Mas a persistência dos impactos reforça que ainda não estamos avançando na adaptação de nossas cidades aos efeitos do clima extremo. Como bem pontuou João Cerqueira, para o Clímax da Mídia Ninja, a recorrência desses eventos extremos nos mostra que não podemos mais lidar com esses episódios como “desastres naturais”. 

    “O Rio Grande do Sul enfrenta chuvas graves pela segunda vez em dois anos. Isso não é coincidência, é um padrão e precisa ser tratado como tal. Não são eventos ‘naturais’, têm causa e responsáveis conhecidos. São as mudanças climáticas, intensificadas pela queima de combustíveis fósseis”, pontuou Cerqueira.

    “Precisamos decretar o estado permanente de emergência climática no RS”, defendeu Renata Padilha, moradora de Porto Alegre e parceira da 350.org Brasil no Eco Pelo Clima. “Estamos tendo perdas econômicas, sociais e ambientais ano após ano; as pessoas estão ficando doentes, e as ações tomadas desde 2024 ainda são ineficazes e insuficientes. É preciso fazer mais, e mais rápido, com Justiça, responsabilidade e transparência.”

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