Enfermeiros relatam calor “desumano” em hospitais e lares para idosos no Reino Unido

Profissionais de saúde pedem medidas urgentes de adaptação em meio a recordes históricos de calor; Reino Unido tem o dia mais quente do ano.
13 de agosto de 2026
enfermeiros calor
SJ Objio / Unsplash
Resumo
  • Impacto do calor sobre profissionais da saúde: enfermeiros no Reino Unido têm desmaiado devido ao calor extremo em hospitais e asilos sem ar-condicionado ou ventilação adequada, com temperaturas internas ultrapassando 30°C, levando o Royal College of Nursing a classificar as condições de trabalho como "impossíveis e desumanas".
  • Recorde de calor no Reino Unido: o país registrou nesta 5a feira (13/8) seu dia mais quente do ano, com máxima provisória de 38,1°C no sul da Inglaterra e termômetros superando 40°C em Kew Gardens, Londres, sem previsão de alívio no curto prazo.
  • Onda de calor generalizada na Europa: o continente enfrenta sua quinta onda de calor desde maio, com temperaturas próximas de 41°C em partes da França e mais de 135 milhões de europeus afetados, transformando o verão — antes a estação preferida do continente — em um período de sofrimento intenso.
  • Enfermeiros no Reino Unido estão desmaiando devido ao calor extremo em prédios inadequados para altas temperaturas. O alerta é do Royal College of Nursing (RCN), que ressaltou a urgência de medidas de adaptação para que hospitais e lares para idosos possam funcionar sem representar um risco para os profissionais de saúde e seus pacientes.

    Segundo a entidade, profissionais relataram casos em que as temperaturas superam 30oC em enfermarias de hospitais e asilos em todo o país. A maior parte dessas edificações não contam com equipamentos de ar-condicionado nem ventiladores. Em algumas, nem mesmo janelas podem ser abertas, o que as transformam em estufas sem qualquer circulação de ar.

    “Nossa ala não tem ar-condicionado, então, estamos todos passando por muitas dificuldades. Já tivemos verões quentes antes, mas não me lembro de ter trabalhado em condições como essas”, afirmou uma enfermeira ao Guardian. “Chega a um ponto em que você teme ir trabalhar.”

    Para Nicola Ranger, diretora-executiva do RCN, os hospitais estão se tornando um lugar “impossível e desumano” para trabalhar ou receber cuidados. “As mudanças climáticas não são um conceito abstrato, mas uma séria ameaça à saúde das pessoas e aos serviços dos quais elas dependem”, ressaltou, citada pela Bloomberg.

    Ao menos no curto prazo, não há expectativa de alívio aos britânicos. Dados do Met Office indicam que o Reino Unido experimentou seu dia mais quente do ano ontem (13/8), com máxima provisória de 38,1oC no sul da Inglaterra. Segundo o Guardian, os termômetros superaram 40oC em Kew Gardens, no sudoeste de Londres.

    O Reino Unido, assim como boa parte da Europa Ocidental, experimenta a 5ª onda de calor desde maio. Como a AP assinala, os termômetros chegaram próximo dos 41oC em diversas áreas da França, desde a Aquitânia, no sudoeste, até o vale do rio Ródano, no leste. Segundo a AFP, mais de 135 milhões de europeus estão sofrendo com o forte calor, com os termômetros passando de 30oC para quase três em cada cinco residentes europeus.

    A recorrência de calor extremo neste verão está esgotando a paciência dos europeus. O New York Times mostra como as altas temperaturas estão transformando o verão, historicamente a temporada do ano preferida da maioria dos europeus, em um momento infernal, temido e extenuante.

    • Em tempo: A sucessão de ondas de calor deve ter um alto custo para a economia da França. Segundo a Bloomberg, a avaliação do governo francês é de que os custos diretos e indiretos do calor neste verão devem chegar a cerca de 10 bilhões a 15 bilhões de euros (R$ 60 bilhões a R$ 90 bilhões), o que corresponde a 0,5% do PIB do país.

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