MPF pede esclarecimentos sobre novos poços da Petrobras na Foz do Amazonas

Apontando possível descumprimento de normas ambientais e falta de transparência, MPF quer que IBAMA esclareça novas perfurações da Petrobras.
18 de agosto de 2026
petróleo foz do amazonas renováveis
Coordenação-Geral de Observação da Terra/INPE
Resumo
  • MPF cobra IBAMA sobre novas perfurações na Foz: o órgão enviou ofício exigindo esclarecimentos sobre pedidos da Petrobras para perfurar mais três poços (Manga, PAD Morpho e Crotalus) além de Morpho. O MPF aponta que a Licença nº 1.684/2025 autorizou apenas Morpho, e que ampliar via anuência descumpre normas ambientais e ignora impactos cumulativos.
  • Falta de transparência sobre duração real das atividades: segundo o MPF, documentos internos mostram cronograma de perfurações entre 2025 e 2029, contradizendo o que Petrobras e técnicos do IBAMA afirmaram em audiências públicas de 2022: que a atividade duraria apenas de 5 a 6 meses com um único poço, sem impactos diretos às comunidades.
  • Múltiplas perfurações ampliam risco: o MPF alerta que mais poços intensificam impactos sobre fauna, flora e comunidades indígenas, quilombolas e pesqueiras da região. O órgão já havia recomendado em fevereiro a suspensão do licenciamento após vazamento de 18 mil litros de fluido de perfuração, e acionou o TRF1 em maio para suspender a licença.
  • O Ministério Público Federal (MPF) solicitou explicações ao IBAMA sobre os pedidos da Petrobras para perfurar três novos poços exploratórios e realizar outras operações marítimas na Foz do Amazonas. O ofício foi enviado ao órgão ambiental na noite de 2ª feira (17/8). Nesse mesmo dia, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse existir petróleo no poço Morpho, perfurado no bloco FZA-M-59, na Foz. Antes, a petrolífera havia informado uma “descoberta de hidrocarbonetos”.

    O MPF aponta que a liberação de novas perfurações por anuência ou alteração de condicionantes na Licença de Operação nº 1.684/2025, que autorizou a abertura de Morpho, descumpre normas ambientais, ignora impactos cumulativos e contradiz as informações prestadas à sociedade e à Justiça. O órgão deu prazo de cinco dias para o IBAMA responder aos tópicos levantados, com informações, justificativas e documentos, informa o g1.

    A licença nº 1.684/2025 autorizou a perfuração de apenas um poço exploratório – Morpho -, afirma o MPF. No entanto, a Petrobras solicitou a ampliação da autorização para incluir mais três poços contingentes – Manga, PAD Morpho e Crotalus. Além de testes de formação e o abandono definitivo dos quatro poços no Bloco 59.

    Desde o primeiro anúncio de descoberta de hidrocarbonetos na área, na 6ª feira passada (14/8), Magda Chambriard tem repetido que ainda não se pode dizer que o material encontrado tem escala comercial. E que constatar essa comercialidade só seria possível com os três novos poços.

    Para o MPF, a avaliação do impacto de uma única perfuração é diferente de analisar os efeitos de múltiplas perfurações, destaca o Valor. “O aumento do número de poços amplia o tempo da atividade e interfere na intensidade e na frequência dos impactos sobre a fauna, a flora e as Comunidades Tradicionais da região costeira, como indígenas, quilombolas, extrativistas e pescadores artesanais”, disse o órgão, em nota.

    Com base em enunciado da Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais (6CCR) do MPF, o órgão reforça que qualquer empreendimento que cause impactos ambientais deve obrigatoriamente passar por uma análise integrada de efeitos cumulativos e sinérgicos. Segundo os procuradores do Pará e do Amapá que assinam o ofício enviado ao IBAMA, a tabela de alternativas locacionais apresentada no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) de Morpho trazia opções para a escolha do melhor local de perfuração, e não uma autorização automática para explorar todos os pontos indicados.

    Outro ponto levantado pelo órgão judicial é o que chamou de “falta de transparência e contradição quanto à duração das atividades”. Segundo o MPF, documentos internos mostram que o cronograma com o qual a Petrobras trabalha prevê perfurações entre 2025 e 2029. Mas, em reuniões públicas realizadas em novembro de 2022, em Belém e em Oiapoque, a empresa e “representantes técnicos do IBAMA declararam que a atividade se restringiria a um único poço e duraria apenas entre cinco e seis meses, sem gerar impactos diretos às comunidades”.

    No ofício, os procuradores ainda mencionam as recomendações enviadas ao IBAMA em fevereiro deste ano. Na ocasião, os procuradores pediam mais transparência e alertavam para que houvesse análise integrada de todas as perfurações previstas. Também em fevereiro, o MPF no Pará recomendou ao órgão ambiental que suspendesse o licenciamento, após o vazamento de 18 mil litros de fluido de perfuração no Bloco 59, ocorrido em janeiro.

    Em maio, o MPF acionou o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) para tentar suspender a licença ambiental.

    Pará Terra Boa, InfoMoney e Portal do Holanda também noticiaram o questionamento do MPF sobre os novos poços da Petrobras na Foz do Amazonas.

    Continue lendo

    Assine Nossa Newsletter

    Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

    Em foco

    Aprenda mais sobre

    Desafios e soluções

    Aqui você terá acesso a conteúdo que permitirão compreender as consequências das mudanças climáticas, sob os pontos de vista econômico, político e social, e aprenderá mais sobre quais são os diferentes desafios e as possíveis soluções para a crise climática.
    15 Aulas — 7h Total
    Iniciar