Petrobras assina contrato para projeto de captura de carbono no RJ

Empresa faz anúncio dias após integrantes do “Conselhão” pedirem restrições a financiamento de projetos de CCS com recursos do Fundo Clima.
18 de agosto de 2026
Petrobras lucros
Agência Petrobras
Resumo
  • Petrobras contrata Halliburton para projeto CCS São Tomé: a empresa assinou contrato para perfurar e completar quatro poços terrestres do projeto-piloto de captura de carbono em Quissamã (RJ) — o primeiro da América Latina em reservatório salino a partir de fontes industriais. A meta é capturar até 100 mil toneladas de CO₂/ano durante três anos, com operação prevista para 2029.
  • Tecnologias de monitoramento e cronograma: o projeto usará fibra ótica para acompanhar a pluma de CO₂ em tempo real, além de materiais resistentes ao gás. Perfuração e completação devem terminar até 2028, seguidas de três anos de injeção e mais três de monitoramento.
  • “Conselhão” pede restrição a investimentos em CCS: apesar do entusiasmo da indústria de petróleo com o CCS como solução climática, as iniciativas em curso seguem caríssimas e sem viabilidade técnica comprovada. Por isso, 39 integrantes do "Conselhão" pediram restrições a investimentos em tecnologias como essa, que passou a ser elegível ao Fundo Clima neste ano.
  • A Petrobras anunciou na 2ª feira (17/8) que assinou contrato com a estadunidense Halliburton Produtos para a perfuração e completação de quatro poços terrestres do projeto-piloto de captura de armazenamento de carbono (CCS) São Tomé. O projeto será executado na Estação de Barra do Furado (Ebaf), em Quissamã, no norte do Rio de Janeiro.

    Segundo a eixos, é o primeiro projeto da América Latina de captura, movimentação e armazenamento de carbono (CCS) em reservatório salino a partir de fontes industriais. Seu objetivo é testar e validar algumas tecnologias enquanto captura até 100 mil toneladas de CO₂ por ano durante três anos.

    Segundo a estatal, a perfuração dos poços e sua completação (fase de preparo e instalação de equipamentos realizada logo após a perfuração) serão concluídas até 2028, com início de operação em 2029, informa a Band. Em seguida, serão três anos de injeção de dióxido de carbono e outros três de monitoramento dos reservatórios.

    Entre as tecnologias que serão utilizadas estão revestimento de fibra ótica para acompanhamento da pluma de CO2 em tempo real; sistema de coleta de amostras do reservatório, dispensando a intervenção no poço; materiais especiais resistentes ao dióxido de carbono; e revestimento de fibra de vidro no poço monitor, detalha o Petronotícias.

    Na semana passada, o presidente Lula assinou um decreto regulamentando as atividades de captura, armazenamento e utilização de carbono (CCS/CCUS). O texto determina que projetos do tipo terão de monitorar o CO₂ armazenado por pelo menos 20 anos antes do encerramento definitivo das operações.

    As tecnologias de captura e armazenamento de carbono vêm sendo incensadas principalmente pela indústria de petróleo e gás como “a” solução para conter as mudanças climáticas. No entanto, as (poucas) iniciativas em andamento são caríssimas e não têm sua viabilidade técnica comprovada. O que comprova que as petrolíferas insistem em CCS e CCUS apenas para continuar inundando o planeta de combustíveis fósseis – e ganhar muito com isso.

    No Brasil, ainda há o risco de recursos que deveriam custear projetos inovadores e estruturantes para a ação climática financiarem iniciativas de captura de carbono. Para evitar isso, um grupo de 39 integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República, o chamado “Conselhão”, pediu restrições a investimentos em tecnologias cujo custo e escala ainda não são viáveis, como a CCS – que passou a figurar entre as atividades passíveis de financiamento do Fundo Clima neste ano.

    Cenário Energia e Megawhat também noticiaram o projeto de CCS da Petrobras.

    Continue lendo

    Assine Nossa Newsletter

    Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

    Em foco

    Aprenda mais sobre

    Justiça climática

    Nesta sessão, você saberá mais sobre racismo ambiental, justiça climática e as correlações entre gênero e clima. Compreenderá também como esses temas são transversais a tudo o que é relacionado às mudanças climáticas.
    2 Aulas — 1h Total
    Iniciar