Cacau, café e açúcar já estão mais caros antes mesmo do “Super El Niño”

Combinação do fenômeno com restrições à oferta de fertilizantes pode reduzir produtividade, elevar preços e ampliar insegurança alimentar.
19 de agosto de 2026
cacau café açucar
Montagem ClimaInfo imagens Unsplash
Resumo
  • El Niño já pressiona os preços internacionais das commodities agrícolas: segundo a StoneX, o mercado já precifica o risco climático para as safras de 2026/27 e 2027/28 de culturas tropicais. O cacau acumula alta de mais de 40% desde fevereiro, mesmo com oferta maior no momento, com cotações acima de US$ 6 mil/tonelada.
  • Café e açúcar também sobem com prêmio de risco climático: o café arábica subiu 35% desde junho e o robusta, 20%, refletindo atraso na colheita brasileira e temor para a safra 2027/28. O açúcar subiu quase 18% em um mês, com chuvas 20% abaixo da média na Tailândia e monções 11% abaixo do histórico na Índia.
  • Combinação perigosa de menos fertilizantes e clima adverso: a agricultura mundial enfrenta um cenário de risco duplo, com a guerra entre os Estados Unidos e o Irã restringindo a oferta de fertilizantes justamente quando o El Niño ameaça reduzir a produção agrícola global.
  • A cada novo relatório de agências climáticas que aumenta a probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro, os preços de importantes soft commodities (produtos agrícolas tropicais) sobem juntos, refletindo o prêmio de risco para as safras de 2026/27 e de 2027/28, explica a CNN Brasil. Um levantamento da consultoria StoneX mostra que o mercado internacional já precifica o impacto do clima nos contratos futuros com destaque para culturas tropicais como café, cacau e açúcar.

    Os contratos futuros de cacau negociados na Bolsa de Nova York acumulam alta de mais de 40% desde o início de fevereiro. A escalada ocorre mesmo com uma oferta maior neste momento, devido ao avanço das entregas no oeste africano e à recuperação dos estoques certificados.

    As cotações seguem acima de US$ 6 mil por tonelada, sustentadas pelo impacto iminente do El Niño nas lavouras da África Ocidental, informa a Globo Rural. Segundo o portal Trading Economics, os operadores estão cada vez mais considerando a possibilidade de condições restritivas na próxima temporada.

    No caso do café, os contratos futuros do arábica subiram 35% desde junho. E os do robusta tiveram 20% de alta em média nesse mesmo período. Parte dessa alta reflete o atraso na colheita da safra brasileira, que influenciou o ritmo mais lento das exportações. Mas outro motivo é o aumento do prêmio de risco climático para a próxima safra de 2027/28, destaca a StoneX.

    Os preços do açúcar também já reagem ao El Niño, segundo a consultoria. Na Tailândia, as chuvas estão 20% abaixo da média. Enquanto na Índia as monções acumulam precipitação 11% abaixo do histórico até o momento. Combinação que reforça o pessimismo quanto à oferta de 2026/27 dos dois países. Com isso, os contratos futuros em Nova York acumulavam alta de quase 18% em um mês.

    A agricultura mundial está diante de uma combinação especialmente perigosa, segundo a CNN Brasil. Há menos fertilizantes disponíveis devido à guerra entre os Estados Unidos e o Irã, que restringiu a oferta, justamente quando o clima ameaça reduzir a produção.

    • Em tempo: O governo federal brasileiro avalia ampliar a compra de milho para fortalecer os estoques públicos e evitar problemas de desabastecimento diante da perspectiva de um “Super El Niño” nos próximos meses. A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) discute com os ministérios o aumento do limite de aquisição anual do Programa de Vendas em Balcão (ProVB), destinado a atender à demanda por grão de pequenos criadores para ração animal, de 50 mil para 80 mil toneladas em 2026, informam O Globo e Brasil 247.

    Continue lendo

    Assine Nossa Newsletter

    Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

    Em foco

    Aprenda mais sobre

    Justiça climática

    Nesta sessão, você saberá mais sobre racismo ambiental, justiça climática e as correlações entre gênero e clima. Compreenderá também como esses temas são transversais a tudo o que é relacionado às mudanças climáticas.
    2 Aulas — 1h Total
    Iniciar