Trump avança em plano de acabar com proteção a florestas nacionais dos EUA

Governo do “agente laranja” avança com plano para liberar 180 mil km² de áreas selvagens para construção de estradas e exploração madeireira.
19 de agosto de 2026
florestas nacionais eua
Wilderness.org USFS Flickr
Resumo
  • Florestas dos EUA sem proteção: o governo Trump anunciou a revogação da "Regra de Conservação de Áreas Sem Estradas", criada em 2001 por Bill Clinton, que abrirá cerca de 180 mil km² de florestas (quase o tamanho do Paraná) à exploração madeireira e à construção de estradas. A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, justificou a medida citando o risco de incêndios florestais. O que não se sustenta.
  • Vitória da indústria: a regra resistiu a mais de uma dúzia de ações judiciais movidas por estados republicanos e grupos industriais que alegavam prejuízo ao desenvolvimento econômico. A revogação representa uma vitória para esses setores após décadas de tentativas frustradas de derrubá-la.
  • Ambientalistas preparam nova batalha judicial: grupos de defesa ambiental alertam que a medida destruiria paisagens intocadas, habitats de espécies migratórias e nascentes de fontes municipais de água. A expectativa é de que novas ações judiciais sejam ajuizadas para tentar barrar a revogação.
  • Não há um só dia de paz para o clima e o meio ambiente com Donald Trump na presidência dos Estados Unidos. A mais nova desgraça promovida pelo “agente laranja” envolve a revogação de uma regra de 25 anos que impede a exploração madeireira, a construção de estradas e outros empreendimentos em florestas nacionais do país.

    Na 3ª feira (18/8), a secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, afirmou que o Serviço Florestal do país pretende revogar a “Regra de Conservação de Áreas Sem Estradas”, estabelecida em 2001, durante a presidência de Bill Clinton, informam New York Times, AP e Wall Street Journal. A revogação acabaria com a proteção de cerca de 180 mil km² (área quase do tamanho do Paraná) de terras florestais, abrindo caminho para a exploração madeireira, a construção de estradas e outros empreendimentos em algumas das florestas mais renomadas do país, destacam Al Jazeera, Scientific American e LA Times.

    O governo Trump alega que a regra é uma restrição inflexível que frustrou gestores de terras e serviu de obstáculo à redução dos riscos de incêndios florestais. “Nossas florestas não podem se dar ao luxo de mais uma década de inação. Em todo o país, temos visto condições evitáveis, vegetação excessiva, surtos de insetos e doenças transformarem paisagens saudáveis em verdadeiros barris de pólvora”, disse Brooke em um comunicado.

    Mas, nas entrelinhas, a revogação representaria uma grande vitória para os estados governados por republicanos e para os grupos industriais que há anos argumentam que as proibições prejudicam o desenvolvimento econômico. Mais de uma dúzia de ações judiciais tentaram, sem sucesso, derrubar a regra.

    Já ambientalistas afirmam o óbvio: o plano do “agente laranja” destruiria paisagens intocadas, incluindo habitats cruciais para espécies migratórias e nascentes de importantes fontes de abastecimento de água municipais. Por isso, espera-se que grupos de defesa ambiental ajuizem ações para impedir a revogação.

    • Em tempo 1: Apesar dos ataques de Donald Trump, os EUA vivem um boom inesperado de energia renovável, à medida que a crescente demanda por eletricidade estimula o investimento em nova capacidade, explica o Financial Times. A S&P Global Energy prevê um aumento recorde de 45 gigawatts (GW) na capacidade instalada de energia renovável este ano, o equivalente à demanda média de eletricidade da Turquia. É cerca de 25% superior ao recorde anterior, estabelecido em 2024.

    • Em tempo 2: Quase 4 em cada 10 estadunidenses afirmam que suas comunidades sofreram danos causados por eventos climáticos extremos no último ano, segundo uma nova pesquisa da Walton Family Foundation-Gallup. De acordo com o The Hill, a pesquisa constatou que os efeitos desastrosos de eventos climáticos extremos foram relatados com mais frequência no sul dos Estados Unidos.

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