Demanda chinesa por petróleo provavelmente atingiu seu pico no ano passado

Maior refinador de petróleo do país informa que a demanda por combustíveis despencou no 1º semestre devido aos preços altos e à opção por elétricos.
25 de agosto de 2026
china emissões de carbono
Montagem ClimaInfo / Foto Bandeira da China: Gary Lerude
Resumo
  • Pico da demanda de petróleo antes do previsto: o presidente da Sinopec, Hou Qijun, afirmou que o consumo chinês de petróleo provavelmente atingiu o pico em 2025, antecipando estimativas anteriores que apontavam para 2027 (Sinopec) ou até 2030 (governo). Segundo ele, mesmo com um eventual arrefecimento do conflito EUA-Irã, a demanda não deve voltar ao nível do ano passado.
  • Consumo de combustíveis rodoviários despenca no 1º semestre: dados da Sinopec mostram queda de 7,9% no consumo de gasolina e de 12% no de diesel, com consumidores migrando para veículos elétricos em meio à disparada de preços causada pela guerra no Oriente Médio. O consumo de etileno também caiu 9,9%, enquanto o gás fóssil e o querosene de aviação cresceram apenas marginalmente.
  • Sanções de Trump ao Irã podem acelerar a queda: a maior importadora mundial de petróleo, a China, já reduziu as compras de petróleo iraniano desde o início do conflito. A ameaça de Donald Trump de sancionar quem negociar com Teerã pode reforçar essa tendência, ao mesmo tempo em que o pico antecipado da demanda chinesa pode pressionar as petrolíferas globais a rever seus planos de expansão.
  • A demanda por petróleo na China provavelmente atingiu seu pico no ano passado, antes do que se estimava. É o que aponta Hou Qijun, presidente da Sinopec, estatal chinesa que lidera o refino de óleo cru no país. Anteriormente, a Sinopec havia previsto que o consumo atingiria seu pico em 2027, enquanto o governo projeta que o consumo de petróleo e carvão atinja seu limite durante o atual plano quinquenal, que vai até 2030.

    “No próximo ano, mesmo que o conflito entre os EUA e o Irã diminua, as coisas podem se recuperar, mas não atingirão o nível do ano passado”, disse Hou, em uma fala destacada pela Bloomberg. “Portanto, é muito provável que a demanda tenha atingido o pico no ano passado.”

    No 1º semestre, a demanda por combustíveis rodoviários despencou à medida que os consumidores se afastaram da disparada de preços causada pela guerra no Oriente Médio e optaram por veículos elétricos, destaca a Bloomberg. O relatório de resultados financeiros da Sinopec mostra que o consumo de gasolina caiu 7,9% e o de diesel, 12%. Os produtos químicos também sofreram impacto, com o consumo de etileno e seus equivalentes caindo 9,9% em relação ao mesmo período de 2025. O consumo de gás fóssil e de querosene de aviação cresceu, mas apenas marginalmente.

    A China é o maior importador de petróleo do mundo. Iniciar mais cedo a redução do consumo ajudaria a conter suas emissões, as maiores do planeta, ao mesmo tempo em que poderia obrigar as maiores petrolíferas globais a rever seus planos de expandir a exploração de combustíveis fósseis.

    Outro freio à demanda chinesa por petróleo pode vir do arqui-rival Donald Trump. A China tem sido há anos a maior compradora de petróleo do Irã. Desde o início do conflito o país já tem comprado bem menos óleo cru iraniano, informa a Reuters. Agora, a ameaça do “agente laranja” de impor sanções a quem fizer negócios com Teerã pode ser mais um empurrão para a China acelerar a queda do consumo de combustíveis fósseis.

    • Em tempo: O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, disse desconhecer que o país estaria avaliando sua candidatura a sediar a COP33 do Clima, em 2028, informa o Beijing Daily. Boato ou não, o fato é que a China vem sinalizando que quer aumentar a sua influência na governança global da transição climática. Em um documento publicado recentemente pelo governo chinês, o país mudou sua retórica e afirmou que busca nos próximos anos “liderar de forma construtiva o processo de governança multilateral em resposta à mudança climática”, lembra o Capital Reset.

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