Noruega apela a corte suprema do país em veredicto contra campos petrolíferos

Governo norueguês quer anular decisões de instâncias inferiores que invalidaram licenças de desenvolvimento de três áreas no Mar do Norte.
25 de agosto de 2026
noruega suprema corte
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Resumo
  • Governo norueguês recorre para reverter anulação de licenças: o governo pediu à Suprema Corte do país que reverta decisão de tribunal inferior que invalidou licenças dos campos Breidablikk, Yggdrasil e Tyrving, contestadas há três anos pela Greenpeace Nordic e Natur og Ungdom por não considerarem as emissões de Escopo 3. Os tribunais deram o ganho de causa aos ambientalistas, mas não suspenderam a produção durante o processo.
  • País mantém exploração no Ártico contra a UE: o ministro da Energia, Terje Aasland, confirmou que a Noruega seguirá explorando petróleo e gás no Ártico, mesmo com a UE buscando barrar novos projetos na região. O governo alega que as áreas livres de gelo no Mar de Barents seriam menos propensas a derramamentos - argumento contestado como frágil.
  • Petrolíferas se movimentam para expandir exploração: com o apoio governamental aos combustíveis fósseis, Equinor, Aker BP e Vaar Energi já se unem para perfurar poços em áreas menos exploradas da plataforma continental norueguesa.
  • O governo da Noruega pediu na 2ª feira (24/8) à Suprema Corte do país que reverta uma decisão de um tribunal inferior que invalidou as licenças para três novos campos de petróleo no Mar do Norte norueguês. O caso foi levado à Justiça há três anos pelas organizações Greenpeace Nordic e Natureza e Juventude (Natur og Ungdom).

    Em 2023, as organizações contestaram três decisões administrativas do Ministério da Energia da Noruega, que haviam aprovado o plano de desenvolvimento e de operação dos campos de petróleo e gás de Breidablikk, Yggdrasil e Tyrving, informam Oil Price, Reuters e Offshore Engineer. Breidablikk, operado pela Equinor, e Yggdrasil, desenvolvido e operado pela Aker BP, já estão produzindo petróleo e gás. Tyrving, outro projeto da Aker BP, deve entrar em operação ainda este ano.

    Os ambientalistas argumentam que o governo não levou em consideração o impacto climático da queima de petróleo e gás nos campos (as emissões de Escopo 3, ligadas ao consumo de produtos) e que as tentativas de corrigi-lo posteriormente foram inválidas. Embora tenham dado ganho de causa às organizações, os tribunais inferiores recusaram-se a ordenar a suspensão da produção enquanto o processo legal estiver em curso e sugeriram ainda que o governo poderia procurar remediar as deficiências regulamentares.

    Em outra frente de expansão dos combustíveis fósseis, a Noruega continuará a explorar petróleo e gás no Ártico, apesar da política da União Europeia que busca interromper novos projetos petrolíferos na região. A afirmação foi feita pelo ministro da Energia do país, Terje Aasland, informam Reuters e Al Jazeera.

    A Noruega argumentou perante autoridades da UE que as partes do Mar de Barents abertas à exploração de petróleo e gás estão livres de gelo e, portanto, menos propensas a derrames de petróleo e outros impactos ambientais – desculpa para lá de esfarrapada. “Desenvolveríamos essas áreas e, em seguida, caberia à UE decidir se deveria haver uma moratória na compra desse gás ou petróleo”, disse Aasland.

    Diante da sanha do governo norueguês por combustíveis fósseis, as petrolíferas já se movimentam para aproveitar o momento. Segundo a Reuters, Equinor, Aker BP e Vaar Energi estão se unindo para perfurar poços em áreas menos exploradas da plataforma continental do país.

    • Em tempo: Os danos climáticos causados pelo desenvolvimento dos campos de petróleo e gás de Rosebank e Jackdaw, no Mar do Norte britânico, anulariam seus benefícios econômicos para o governo do Reino Unido em muitas vezes, mostra uma análise conduzida por Luke Hatton, do Imperial College London. Segundo a estimativa, os danos econômicos causados pelas emissões provenientes da produção de petróleo e gás ficarão entre 119 bilhões e 336 bilhões de libras (R$ 835 bilhões e R$ 2,3 trilhões) nas próximas décadas, ante 28,7 bilhões de libras (R$ 201 bilhões) para o Reino Unido estimado pela Adura, a empresa de combustíveis fósseis que promove os novos campos, informa o Guardian.

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