
O governo da Noruega pediu na 2ª feira (24/8) à Suprema Corte do país que reverta uma decisão de um tribunal inferior que invalidou as licenças para três novos campos de petróleo no Mar do Norte norueguês. O caso foi levado à Justiça há três anos pelas organizações Greenpeace Nordic e Natureza e Juventude (Natur og Ungdom).
Em 2023, as organizações contestaram três decisões administrativas do Ministério da Energia da Noruega, que haviam aprovado o plano de desenvolvimento e de operação dos campos de petróleo e gás de Breidablikk, Yggdrasil e Tyrving, informam Oil Price, Reuters e Offshore Engineer. Breidablikk, operado pela Equinor, e Yggdrasil, desenvolvido e operado pela Aker BP, já estão produzindo petróleo e gás. Tyrving, outro projeto da Aker BP, deve entrar em operação ainda este ano.
Os ambientalistas argumentam que o governo não levou em consideração o impacto climático da queima de petróleo e gás nos campos (as emissões de Escopo 3, ligadas ao consumo de produtos) e que as tentativas de corrigi-lo posteriormente foram inválidas. Embora tenham dado ganho de causa às organizações, os tribunais inferiores recusaram-se a ordenar a suspensão da produção enquanto o processo legal estiver em curso e sugeriram ainda que o governo poderia procurar remediar as deficiências regulamentares.
Em outra frente de expansão dos combustíveis fósseis, a Noruega continuará a explorar petróleo e gás no Ártico, apesar da política da União Europeia que busca interromper novos projetos petrolíferos na região. A afirmação foi feita pelo ministro da Energia do país, Terje Aasland, informam Reuters e Al Jazeera.
A Noruega argumentou perante autoridades da UE que as partes do Mar de Barents abertas à exploração de petróleo e gás estão livres de gelo e, portanto, menos propensas a derrames de petróleo e outros impactos ambientais – desculpa para lá de esfarrapada. “Desenvolveríamos essas áreas e, em seguida, caberia à UE decidir se deveria haver uma moratória na compra desse gás ou petróleo”, disse Aasland.
Diante da sanha do governo norueguês por combustíveis fósseis, as petrolíferas já se movimentam para aproveitar o momento. Segundo a Reuters, Equinor, Aker BP e Vaar Energi estão se unindo para perfurar poços em áreas menos exploradas da plataforma continental do país.
Em tempo: Os danos climáticos causados pelo desenvolvimento dos campos de petróleo e gás de Rosebank e Jackdaw, no Mar do Norte britânico, anulariam seus benefícios econômicos para o governo do Reino Unido em muitas vezes, mostra uma análise conduzida por Luke Hatton, do Imperial College London. Segundo a estimativa, os danos econômicos causados pelas emissões provenientes da produção de petróleo e gás ficarão entre 119 bilhões e 336 bilhões de libras (R$ 835 bilhões e R$ 2,3 trilhões) nas próximas décadas, ante 28,7 bilhões de libras (R$ 201 bilhões) para o Reino Unido estimado pela Adura, a empresa de combustíveis fósseis que promove os novos campos, informa o Guardian.



