Terras Raras: o que são e qual sua importância para a transição energética?

O que são Terras Raras:

Terras raras compreendem um grupo de 17 elementos químicos de difícil extração e refino essenciais para a transição energética, dispositivos eletrônicos, ímãs de motores elétricos, inteligência artificial e sistemas de defesa. 

São eles: Cério, Disprósio, Érbio, Escândio, Európio, Gadolínio, Hólmio, Itérbio, Ítrio, Lantânio, Lutécio, Neodímio, Praseodímio, Promécio, Samário, Térbio e Túlio.

Esses químicos podem ser usados na construção de: 

  • smartphones,
  • televisores,
  • câmaras digitais,
  • Lâmpadas LED,
  • Equipamento de raio-x e tomografia,
  • ímãs permanentes (para veículos elétricos e aerogeradores),
  • aviões de caça, 
  • submarinos,
  • equipamentos com telêmetro a laser.

Praticamente todas as grandes inovações da atualidade dependem de minerais críticos. A China domina a produção e o processamento – 70% da produção global vem do país asiático-, enquanto os EUA tentam montar uma cadeia produtiva alternativa.  

Terras raras no Brasil: 

O Brasil está em uma posição de destaque, pois detém a segunda maior reserva global de terras raras – e a única fora da China. Além das grandes reservas, o Brasil também possui vantagens como: matriz elétrica mais limpa, território estável e conhecimento técnico. 

As principais reservas de terras raras no país estão nos estados do Ceará, Goiás, Maranhão, Piauí e Rio Grande do Sul. Este último, espaço que o Brasil reivindica na ONU como seu desde 2018. A Elevação do Rio Grande está a mais de 600 milhas náuticas além da Zona Econômica Exclusiva (ZEE), logo, o país não possui soberania automática sobre a área. O pedido está em análise pela Comissão de Limites de Plataforma Continental (CLPC).

O Brasil possui uma única mineradora de terras raras em operação comercial no país, Serra Verde Group, localizada em Minaçu (GO). A empresa é a única mineradora fora da Ásia a extrair em escala comercial quatro elementos mais cobiçados dentre os 17. 

Serra Verde tem capacidade de produzir cerca de 5 mil toneladas por ano de materiais processados. Ela foi comprada pela empresa americana USA Rare Earth (USAR)

Existe legislação brasileira para terras raras? 

A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), aprovada pela Câmara, está para ser votada no Senado. 

O projeto aprovado pelos deputados propõe a criação de um fundo garantidor para estimular projetos e crédito tributário no valor de R$ 5 bilhões, com o objetivo de incentivar o processamento de minérios no país. 

A União será responsável por criar o fundo, do qual participará como cotista, no valor de até R$ 2 bilhões, mas que terá natureza privada. Ainda de acordo com a proposta, será criado o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE), que prevê a concessão de créditos fiscais entre 2030 e 2034, no valor de R$ 1 bilhão por ano.

Por hora, mineradores e ambientalistas (pasmem) discordam do texto como ele está. 

Na avaliação de mineradoras que participaram ativamente das negociações da proposta, alguns pontos do projeto recém-aprovado ampliam excessivamente a intervenção estatal, aumentam a burocracia regulatória e podem gerar insegurança para investidores. Um dos pontos reivindicados pelas empresas é a inclusão detalhada dos ritos de consulta a comunidades tradicionais e dos filtros de investimento estrangeiro, para evitar futuras judicializações.

Já as organizações da sociedade civil criticam o marco aprovado pela Câmara por priorizar a aceleração de empreendimentos minerários sem estabelecer mecanismos robustos de controle ambiental, transparência e participação social. Também há críticas à ausência de mecanismos explícitos de consulta prévia, livre e informada a Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais, conforme previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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