Amazônia em chamas

Amazônia em chamas

Última atualização
17 de março de 2026

As mudanças climáticas têm tornado a Amazônia mais seca. Um estudo do World Weather Attribution (WWA) de 2024 mostra que a seca histórica de 2023 na Amazônia foi agravada por ações humanas, como desmatamento, queimadas e mudanças no uso da terra, afetando principalmente pequenos agricultores, indígenas e ribeirinhos.

A crise climática fez a seca amazônica de 2024 até 30 vezes mais provável no período de junho a novembro. Isso não foi um evento ímpar.

Um estudo publicado na revista científica Communications Earth & Environment apontou que áreas com cobertura vegetal inferior a 60% no bioma apresentam redução de 12% na evapotranspiração. Como um efeito dominó, a redução do processo natural acarreta uma queda de 25% na precipitação na estação seca e o número de dias chuvosos reduz-se em até 11 dias por ano. 

O desmatamento na Amazônia chega a elevar a temperatura em 3°C. Regiões altamente desmatadas passam a apresentar características climáticas semelhantes às de áreas de transição entre floresta e savana.

Os impactos não estão apenas nas áreas desmatadas. As que sobrevivem também perdem sua resiliência. Um estudo publicado em outubro de 2025 concluiu que mesmo as áreas onde não há desmatamento na Amazônia estão correndo risco provocado pelas mudanças climáticas

Enquanto o planeta aqueceu mais de 1,2°C desde a Revolução Industrial, no centro-norte da floresta, em uma faixa que vai do Amazonas à Roraima, a temperatura aumentou mais de 3,3°C. O recorde é preocupante, pois essa região é uma das mais bem preservadas, com Unidades de Conservação, como o Parque do Jaú, e Territórios Indígenas, como a Waimiri-Atroari e a Yanomami.

O cenário se torna propício para a propagação do fogo, que é iniciado, em sua grande maioria, pela ação humana. A Amazônia tem mais de 800 mil quilômetros quadrados de áreas desmatadas, a maioria utilizada para pastagem. Portanto, quem está nessas áreas continua utilizando o fogo para o manejo do pasto, o que aumenta a incidência de queimadas, somando-se às novas invasões. Não basta apenas reduzir o desmatamento, é necessário monitorar o que acontece com as áreas já destruídas.

  • Saiba mais sobre o “Dia do Fogo”, que destruiu parte da Floresta Amazônica nos arredores de Novo Progresso, no sudoeste do Pará em 2019.

Em 2024, A pior seca em 125 anos na região levou à mortandade em massa de espécies aquáticas, principalmente nos lagos e afluentes principalmente ao longo da calha norte dos rios Solimões e Amazonas. Isso afetou a disponibilidade de alimentos e água potável para famílias ribeirinhas. 

Fenômenos climáticos como o Super El Niño de 2023-2024 impactaram a condição de seca na Amazônia, no entanto, a anomalia climática foi secundária para a seca severa que o bioma passou frente às mudanças climáticas provenientes da queima de combustíveis fósseis e pelo desmatamento

Quer saber mais sobre queimadas na Amazônia e a degradação da floresta? 

O que é preciso fazer para evitar incêndios na Amazônia: 

  • Abandonar o uso do fogo na pecuária e agricultura, ficando seu uso restrito a populações tradicionais que historicamente manejam o fogo em áreas muito pequenas e pequenos agricultores que não tem outra opção viável tecnicamente e financeiramente.
  • Reforçar o combate do desmatamento na região do Arco do Desmatamento.
  • Entender as características e necessidades socioeconômicas locais para equilibrar conservação e desenvolvimento econômico.
  • Fortalecer órgãos ambientais e seus servidores, por exemplo, dispondo de melhores equipamentos para contenção do fogo e aumento de vagas de fiscais. 
  • Multar infratores e aumentar a taxa de recolhimento das multas.  
  • Criar ações que desestimulam o desmatamento, como crédito para municípios que têm reduzido a área de desmatamento.

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