Temporada de Fogo

Temporada de Fogo

Última atualização
11 de março de 2026

O fogo representa um dos principais agentes de transformação e degradação ambiental dos biomas brasileiros, levando a efeitos como perda de biodiversidade, aumento da erosão do solo e emissão de gases de efeito estufa. 

Desde 1987, o Brasil monitora os focos de calor via satélite por meio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no Programa Queimadas, disponibilizando os dados em tempo real com duas principais finalidades: orientar as brigadas florestais nas ações de combate, e apoiar órgãos ambientais, defesa civil e pesquisadores no desenvolvimento de estratégias de fiscalização, manejo e prevenção.

Enquanto alguns termos relacionados ao fogo podem parecer semelhantes para a população, é necessário definir os seus usos e aplicações ao abordar o tema. 

  • Queimada: uso controlado do fogo (de forma legal ou ilegal, acidental ou criminosa) para o manejo agrícola. 
  • Incêndio florestal: evento não controlado, que se espalha de forma rápida, atingindo vegetação nativa. 
  • Focos de calor: pontos de alta temperatura detectados via satélite, que indicam a presença de temperaturas acima de 47° no solo, mas não necessariamente fogo. 

Condições climáticas como temperaturas elevadas, baixa umidade e ventos fortes, assim como a disponibilidade de material combustível seco no solo, favorecem o aumento na ocorrência e propagação de incêndios florestais. 

Historicamente, a maior incidência desses fatores no país acontece entre junho e setembro, caracterizando um período conhecido como temporada de fogo

As mudanças climáticas, intensificadas drasticamente pelo desmatamento e pela queima de combustíveis fósseis, acentuam ainda mais a probabilidade da ocorrência de focos de calor. Por isso, além de acabar com o desmatamento, é necessário reduzir as emissões de gases do efeito estufa provenientes de outras fontes.

Lições aprendidas e iniciativas para reduzir o fogo

O governo federal adotou diversas medidas para reduzir os focos de calor nos biomas brasileiros em 2025. 

  • A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3469/24, proposta que reúne diversas medidas para facilitar o combate a incêndios florestais e queimadas, incluindo o repasse direto de recursos do Fundo Nacional do Meio Ambiente para regiões em situação de emergência ambiental reconhecida pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Com clima mais seco, floresta propaga mais o fogo

A seca extrema que atingiu a Amazônia em 2023 foi considerada 30 vezes mais provável devido à crise climática, segundo o World Weather Attribution (WWA)

O estudo apontou que o fenômeno não se explica apenas pelo El Niño: o aquecimento global intensificado pela queima de combustíveis fósseis foi decisivo. Sem esse fator humano, eventos dessa magnitude seriam raros, ocorrendo talvez uma vez a cada 1.500 anos. Agora, com o aquecimento intensificando, projeções indicam que secas graves como a de 2023 podem se repetir a cada década.

O cenário de floresta mais seca favorece diretamente os agentes do desmatamento, que encontram nas empresas de petróleo e gás aliados perfeitos para devastar áreas. A Petrobras aumentou sua produção em mais de 7% em 2025 e projeta crescimento de 33% até 2030,  apoiada em um plano de investimentos de 111 bilhões de dólares

No total, o país deve receber mais de 600 bilhões de reais em aportes no setor até 2029, podendo elevar sua produção a 7 milhões de barris equivalentes por dia até 2030. Esses números evidenciam a contradição: à medida que a crise climática seca a Amazônia e alimenta a destruição florestal, as próprias empresas fósseis seguem fortalecendo o modelo que intensifica o problema.


Com a entrevista dada pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago, no programa Roda Viva em abril de 2025. O diplomata reiterou que o governo brasileiro segue engajado com o acordo de “se distanciar” dos combustíveis fósseis assinado na COP28 de Dubai, em 2023. Mas também disse que a decisão em torno da foz do Amazonas é uma decisão que cabe ao Brasil, considerando suas condições econômicas e sociais.

Há uma clara divergências entre os compromissos assumidos pelo Brasil e as ações concretas desenvolvidas, e como essa estratégia pode estar afastando o país do seu papel de liderança na conferência, ao tempo em que agrava os problemas ambientais e a pressão na Amazônia.

Saiba mais

Relacionados

Notícias

Carregar Mais