Cerrado em chamas
Última atualização17 de março de 2026
Apesar de ser um bioma mais resiliente frente ao fogo – elemento inclusive natural na sua dinâmica – as mudanças climáticas e o contínuo desmate do Cerrado tem colocado seu futuro em risco.
Junto com o Pantanal, o Cerrado registrou, no primeiro semestre de 2024, o maior número de focos de incêndio desde 1988, quando começou o monitoramento de queimadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
O MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) segue sendo o centro da expansão do desmatamento, puxado muito pelo avanço da agropecuária. O fogo é usado no bioma como etapa para limpeza da área que foi anteriormente desmatada, para preparar o solo para uma futura plantação, na maior parte das vezes de commodities ou pasto de braquiária, gramínea utilizada na alimentação do gado.
Quase metade da área do Cerrado foi alterada por atividades humanas. São 26 milhões de hectares ocupados pela agricultura, sendo 75% destinados ao cultivo de soja. O bioma responde por quase metade da área cultivada com o grão no Brasil.
As queimadas no MATOPIBA estão associadas à expansão agrícola, que tem cada vez mais expulsado os povos tradicionais de seus territórios e lares.
Logo, para além dos impactos ambientais (perda de habitat, morte de animais, empobrecimento do solo, diminuição da produção de águas e ciclo de chuvas), existem os efeitos sociais, como a disputa de terra, insegurança territorial histórica, que ameaça o direito de populações tradicionais de ter um ambiente saudável e equilibrado.
Por que o fogo se propaga no Cerrado?
- A estratégia de por fogo é uma forma mais barata de desmatar, afirma Rodrigo Agostinho, presidente do IBAMA.
- Fiscalizar incêndios criminosos é mais difícil que o desmatamento tradicional, que tem sido combatido por meio de satélites.
- Diferente da Amazônia, que teve queda significativa de desmatamento nos últimos dois anos e tem maior proteção legal, o Cerrado vive uma destruição legalizada pelo Código Florestal.
- O bioma tem apenas 3% do território em proteção integral e as propriedades privadas podem desmatar 80% da sua área. Em áreas de cerrado dentro dos estados da Amazônia Legal, o valor sobe para 37%.
No Cerrado o fogo não é o vilão, ele é um elemento natural, assim como a água. A condição atual do Cerrado em Chamas, assim como Pantanal e Amazônia em chamas, vem do acúmulo dos impactos das mudanças climáticas e da ação humana, que gera o desequilíbrio de agentes naturais.
O que é preciso fazer para evitar incêndios no Cerrado:
- Demarcação de Terras Indígenas e criação de novas áreas de proteção ambiental, pois apenas 8% do bioma está protegido, o que agrava os conflitos agrários.
- Aplicação das diretrizes estaduais e federais do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado).
- Implementação da lei federal 14.944, que institui a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo.
- Investir nos órgãos ambientais de controle e fiscalização, que tiveram baixas expressivas no governo Bolsonaro.
- Aperfeiçoar controles de rastreabilidade e monitoramento de áreas desmatadas no MATOPIBA.
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