Clima e eleições: a vida no centro do debate
O preço da comida, a conta de luz, a qualidade do ar e a segurança das cidades já são influenciados pelas mudanças climáticas. À medida que os eventos extremos se tornam mais frequentes, cresce também a necessidade de colocar o clima — e as pessoas — no centro das decisões políticas.
Em 2024, mais de 1,1 milhão de pessoas deixaram suas casas devido a enchentes, secas ou deslizamentos, enquanto a pior seca em 70 anos expôs a vulnerabilidade hídrica do país. Em 2025, outros 336 mil brasileiros foram afetados por eventos extremos. Esses números não são obra do acaso: refletem décadas de decisões que não colocaram o clima e as pessoas no centro do planejamento.
As eleições de 2026 acontecem nesse cenário, mas também em um momento de oportunidade. O país reúne condições para liderar uma transição energética justa, capaz de reduzir suas emissões, fortalecer a segurança energética e gerar empregos verdes em escala. Ao mesmo tempo, cresce a urgência de preparar cidades e economias em um mundo de incertezas, para proteger vidas, infraestrutura e economias locais.
Apesar disso, as mudanças climáticas ainda ocupam pouco espaço no debate eleitoral. Temas como adaptação das cidades, prevenção de desastres e substituição dos combustíveis fósseis costumam ser tratados apenas como questões ambientais, quando na verdade influenciam diretamente o custo de vida, a saúde, a economia e a segurança da população. Por isso, precisam fazer parte das propostas apresentadas por candidatos à Presidência, ao Senado e à Câmara dos Deputados.
Pensando nisso, o ClimaInfo reuniu propostas concretas que podem orientar candidatos e ajudar eleitores a identificar compromissos capazes de proteger vidas, fortalecer a economia e preparar o Brasil para os desafios deste século. São medidas que podem ser implementadas por diferentes esferas de governo e que mostram que enfrentar a crise climática também significa melhorar a vida das pessoas.
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Veja abaixo alguns exemplos de como colocar o clima no centro do debate político pode trazer benefícios para a população.
Impactos climáticos e adaptação
Enchentes, secas, ondas de calor, deslizamentos e incêndios deixaram de ser eventos excepcionais e passaram a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros. Além de colocar vidas em risco, esses desastres destroem moradias, interrompem aulas, prejudicam a produção de alimentos, pressionam o sistema de saúde e elevam o custo de vida. À medida que a crise climática se intensifica, cresce também a necessidade de preparar cidades, comunidades e serviços públicos para enfrentar seus impactos.
Candidatos comprometidos com essa agenda podem fortalecer o planejamento da adaptação climática, investir em infraestrutura resiliente, ampliar a arborização e as áreas verdes, proteger populações que vivem em áreas vulneráveis, fortalecer a resposta dos municípios a eventos extremos, garantir recursos permanentes para a ciência e os sistemas de monitoramento e assegurar direitos às pessoas deslocadas por desastres. Adaptar o Brasil ao novo clima não é apenas reduzir prejuízos futuros: é proteger vidas, tornar as cidades mais seguras e melhorar a qualidade de vida da população.
Transição energética
A energia que move o Brasil também pode reduzir o custo de vida, gerar empregos, fortalecer a economia e melhorar a saúde da população. Embora o país seja uma potência em energias renováveis, milhões de brasileiros ainda convivem com contas de luz elevadas, apagões, transporte caro e poluição do ar. Ao mesmo tempo, a dependência de combustíveis fósseis deixa o país mais vulnerável a crises internacionais e às mudanças do clima.
Candidatos podem enfrentar esses desafios ampliando os investimentos em energias renováveis, armazenamento e na modernização da rede elétrica, garantindo acesso à eletricidade para comunidades isoladas e periferias, incentivando a inovação em biocombustíveis, eletrificando o transporte público e de cargas, ampliando a mobilidade urbana e criando mecanismos que tornem deslocamentos mais acessíveis e menos poluentes. A transição energética é uma oportunidade para construir um Brasil mais competitivo, resiliente e justo, com energia limpa, cidades mais saudáveis e mais dinheiro no bolso das famílias.
Veja abaixo alguns exemplos de como colocar o clima no centro do debate pode beneficiar a vida das pessoas.
Desenvolvimento verde
O Brasil reúne condições únicas para liderar a economia do futuro. Com uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, abundância de recursos naturais, capacidade agrícola e conhecimento acumulado em biocombustíveis, o país pode transformar a transição ecológica em uma estratégia de desenvolvimento, competitividade e geração de riqueza.
Candidatos comprometidos com essa visão podem impulsionar novas cadeias produtivas, como combustíveis sustentáveis de aviação, baterias e fertilizantes verdes, atrair indústrias de baixo carbono, ampliar parcerias comerciais e fortalecer a liderança brasileira nas negociações internacionais. Com políticas de inovação, qualificação profissional e reindustrialização, é possível criar empregos de qualidade, agregar valor à produção nacional e posicionar o Brasil como uma potência do desenvolvimento verde. Investir nessa agenda significa aproveitar uma oportunidade histórica para crescer de forma mais sustentável, gerar prosperidade e ampliar o protagonismo do país no cenário global.
Colocar o clima no centro do debate eleitoral é, acima de tudo, colocar as pessoas no centro das decisões. Esperamos que este guia contribua para esse debate e ajude candidatos e eleitores a construir um Brasil mais seguro, justo e preparado para o futuro.