Secas extremas

Secas extremas

Última atualização
19 de março de 2026

O ciclo da água está diretamente ligado ao clima. Logo, as mudanças climáticas mudam também o regime de chuvas, o que pode provocar o aumento de eventos extremos, como inundações e longos períodos de seca. 

Já um estudo publicado na revista científica Nature Communications em 2025 mostrou que o desmatamento é responsável pela redução de quase 75% das chuvas e 16% do aumento da temperatura na Amazônia na estação seca. 

O Brasil já sofre com o aumento de áreas de estiagem, com a ciência registrando pela primeira vez, em 2023, áreas desertificadas

Uma análise feita por cientistas do Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do INPE mostrou que a intensificação da mudança climática associada à perda de vegetação natural está tornando áreas do Semiárido ainda mais secas, com a disponibilidade de água em condições similares às encontradas em regiões desérticas.

Outra análise do Cemaden, esta abrangendo todo o território nacional, destacou que muitos municípios enfrentaram condições de seca por 12 meses consecutivos entre 2023 e 2024. “Além de sua intensidade, esta seca já se configura como uma das mais longas das últimas décadas”, apontou o documento. 

As regiões Norte e Nordeste são as mais vulneráveis, com a região amazônica ainda mais ameaçada. “Por causa da elevação das temperaturas e da diminuição de chuvas na região, a Amazônia pode sofrer secas que causarão uma frenagem no processo de regeneração florestal, perda de biodiversidade e, possivelmente, extinção de espécies”, informou a Unicef, com dados da WWF.

Seca de 2024

Segundo o CEMADEN, em 2024, cerca de 20% dos municípios brasileiros registraram seca severa ou extrema, especialmente nos Sudeste, Norte e Centro-Oeste. 

No Amazonas, as cenas dramáticas da estiagem histórica do ano passado começam a se repetir com uma redução acelerada dos níveis do rio Negro e de outros rios da região. Cerca de 10 mil pessoas sofrem com os efeitos da seca, como o isolamento de comunidades ribeirinhas e a falta de comida e água potável.

Já no Centro-Oeste, a seca potencializou a temporada de incêndios no Pantanal. O fogo já consumiu mais de 760 mil hectares desde janeiro, o que representa cerca de 5% do território do bioma. 

O nível do rio Paraguai atingiu o patamar mais baixo em quase 60 anos, pior do que na temporada histórica de 2020. As temperaturas mais altas e o clima seco favorecem a ocorrência e a disseminação dos focos de incêndio, o que dificulta o trabalho dos brigadistas e bombeiros.

A seca também causou problemas no Sudeste. O Estadão informou que a cidade de São Paulo foi a capital mais seca do Brasil na última 3ª feira (23/7), quando registrou apenas 13% de umidade relativa do ar no período da tarde. Mesmo com a situação ainda favorável dos principais reservatórios hídricos de São Paulo, o abastecimento de água já é um problema no interior do estado.

Quais os impactos da seca no nosso dia a dia? 

  • Aumentam a conta de luz.
  • Podem reduzir as colheitas e afetar a produção de alimentos.
  • Impactam diretamente setores econômicos, com o aumento de custos no frete e produtos.
  • Aumentam casos de internação por doenças respiratórias causadas por fumaça.
  • Estiagens cada vez mais longas também afetam o nível de rios, prejudicando em especial comunidades ribeirinhas que ficam isoladas. Rios como Madeira e o Amazonas enfrentam dificuldade para o transporte de carga e passageiros, afetando a economia regional.
  • Aumentam o risco de incêndios florestais.

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