Pantanal em Chamas

  • Mudança climática provoca seca extrema, altas temperaturas e uma estação chuvosa fraca, eventos que formam barril de pólvora na região.
  • A ocupação não planejada das cabeceiras do Pantanal pelo agronegócio e por pequenas centrais hidrelétricas diminuiu os picos de inundação do bioma, complicando ainda mais a situação do Pantanal.
  • Os governos federal e dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul têm se mostrado lentos na reação.
  • O Congresso Nacional, com Artur Lira na cabeça, tem criado um ambiente político propício para as queimadas, tanto por meio dos PLs da Destruição quanto sequestrando recursos que deveriam ser empregados nas situações extremas por meio do orçamento secreto.

Quase 700 mil hectares do Pantanal queimaram de janeiro até 23 de junho deste ano. A área é maior do que quatro vezes a da cidade de São Paulo. Em todo o Pantanal o número de focos de calor já é mais de 1.000% superior ao registrado no ano passado. E nem chegamos ainda ao período do auge do fogo, historicamente esperado para setembro. O que está acontecendo?

 O clima mudou

Períodos de seca sempre aconteceram, mas não com a frequência e a intensidade que estamos vendo. Isso tem nome: mudança do clima. Tem causa: a emissão dos gases de efeito estufa. Eles são gerados principalmente pela queima de combustíveis fósseis em todo o mundo. No caso do Brasil, principalmente pelo desmatamento e queimadas. Ou seja, queimadas são tanto causa como, agora, uma das consequências da mudança do clima. No caso da Amazônia, a destruição da floresta já afeta o regime das chuvas do país, pela redução da umidade transportada pelos rios voadores.

Desde o começo da década de 2020 o Pantanal Norte tem tido 13% a mais de dias sem chuva do que nos anos 1960, e a massa de água é 16% menor durante a estação da seca, considerando os últimos dez anos. Esta é uma tendência de longo prazo, que foi agravada este ano pelo El Niño. Segundo pesquisadores da UNEMAT, “esses resultados mostram que o Pantanal está perdendo água e passando por uma seca mais severa hoje em dia do que no passado”.

Tempo quente

 A previsão climática sazonal do INPE para o trimestre junho-agosto de 2024 indica maior probabilidade de temperaturas acima da faixa normal, principalmente no centro e norte do Brasil. O INPE chama atenção para áreas da faixa central do Brasil, como por exemplo, a região do Pantanal.

Seca severa

As mudanças climáticas reforçadas pelo forte El Niño fizeram com que o final do período seco do ano passado se prolongasse no Pantanal, de modo que, no começo deste ano, os níveis dos rios estavam muito baixos. Para piorar a situação, a estação chuvosa de 2024 foi muito fraca.

Segundo o ICMBio, o Pantanal registra atualmente uma seca ainda mais severa do que a registrada no período de seca de 2020, quando tivemos o segundo maior incêndio no bioma já registrado. Na época foram devastados 4 milhões de hectares, área quase equivalente à do estado do Espírito Santo.

  O que fazer?

  • Fortalecer o Prevfogo/IBAMA e incentivar, capacitar, equipar e reforçar o orçamento das brigadas pantaneiras de combate ao fogo – estas medidas devem ser tomadas pelos governos federal e dos estados de MS e MT.
  • Colocar a Polícia Federal no combate às queimadas e aos incêndios criminosos – ação a ser tomada pelo governo federal.
  • Elaborar a lei específica para assegurar a conservação do Pantanal como exigido pela Constituição – ação a ser tomada pelo governo federal (veja nota técnica sobre a tramitação deste PL).
  • Frear todos os projetos de lei do pacote da destruição que tramitam no Congresso – estas ações devem ser feitas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.
  • Reduzir urgentemente as emissões de gases de efeito estufa produzidas pelo Brasil, zerando o desmatamento e eliminando gradualmente a produção e a queima de combustíveis fósseis –  a liderança desta ação deve ser do governo federal, que precisa apresentar urgentemente seu novo Plano Clima e uma nova contribuição para o Acordo de Paris alinhada com a meta de aquecimento global máximo de 1,5ºC.

ClimaInfo, junho de 2024.

Vídeos

Destaques