Megaleilão da cessão-onerosa do pré-sal frustrou governo e mercados

7 de novembro de 2019

O governo esperava arrecadar mais de R$ 106 bilhões no leilão de petróleo de ontem. Receberá menos de R$ 70 bilhões de bônus e nenhum ágio. Também esperava atrair capital estrangeiro para ajudar a alavancar a economia. Quase tudo virá da Petrobras. A estatal brasileira e duas estatais chinesas foram as únicas empresas a fazer ofertas pelos dois blocos mais apetitosos, sendo que as chinesas entrarão com apenas 10% do bolo. Nenhuma oferta foi feita para os dois blocos menos apetitosos.

Ao Correio Braziliense, Décio Odonne, diretor da ANP, admitiu que “as companhias gostam do papel de operadoras. O fato da Petrobras ter a preferência, inibe a concorrência. No caso do excedente, existe outro fator, que inibe muito mais. A necessidade do consórcio ter que negociar com a Petrobras uma indenização bilionária.” Já o ministro da infraestrutura, Tarcísio Freitas, disse ter “certeza que governadores e prefeitos estarão felizes com os R$ 11 bilhões [de royalties] que serão divididos” entre eles.

A notícia, claro, saiu em todo lugar. Tem mais informações e análises na Folha, nos Estadão (1 e 2), Valor (1, 2 e 3), Globo, Br Político e, lá fora, na Reuters.

O Protagonismo da Petrobras no leilão joga água fria sobre a vontade que o governo tem de vender todas as estatais. Tanto assim que, segundo a Folha, Renata Isfer, secretaria de Petróleo e Gás do MME, assim que acabou o leilão disse que governo decidiu apoiar o projeto de lei do senador José Serra (PSDB-SP) que acaba com o chamado polígono do pré-sal, para o qual as regras atuais dão preferência à Petrobras.

Marcelo Osakabe, do Valor, viu na ausência das grandes petroleiras sinal que “caiu por terra a expectativa com entrada de grandes fluxos (de dólares) até o fim do ano”, o que fez a moeda fechar novamente cotada acima dos R$4.

Emissões: A ANP estima que os blocos de exploração de petróleo no pré-sal dos leilões de ontem e hoje contenham até 15 bilhões de barris de petróleo. A queima de todo este petróleo liberaria até 8,6 bilhões de toneladas de CO2, quase quatro vezes as emissões brasileiras de gases de efeito estufa de 2018 estimadas pelo SEEG.

 

ClimaInfo, 7 de novembro de 2019.

Se você gostou dessa nota, clique aqui para receber em seu e-mail o boletim diário completo do ClimaInfo.

x (x)

Continue lendo

Assine Nossa Newsletter

Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

Em foco

Aprenda mais sobre

Glossário

Este Glossário Climático foi elaborado para “traduzir” os principais jargões, siglas e termos científicos envolvendo a ciência climática e as questões correlacionadas com as mudanças do clima. O PDF está disponível para download aqui,
1 Aulas — 1h Total
Iniciar