A maior parte das emissões de gases do efeito estufa (GEE) brasileiras provém da mudança de uso da terra - numa porcentagem muito superior à média global. O principal impulsionador do desmatamento e da degradação florestal no país é o agronegócio, responsável por 73% das emissões brasileiras.
Em 2021, a destruição dos biomas brasileiros emitiu 1,19 bilhão de toneladas brutas de COP2 equivalente (GtCO2e). Um número maior do que as emissões do Japão.
A extensão do agronegócio em regiões como Matopiba e baixo Amazonas cria um ciclo vicioso: aumenta o desmatamento, que aumenta a degradação ambiental, e ambos aumentam as emissões, que pioram a degradação florestal. Prova disso é que, em 2023, com a contenção do desmatamento, em especial na região amazônica, o país registrou a maior queda de emissões em 15 anos.
Por isso, é fundamental que o Brasil se atenha ao compromisso de Desmatamento Zero até 2030 e intensifique a fiscalização e o cumprimento da legislação ambiental. O governo Bolsonaro não só afrouxou os mecanismos de controle como estimulou a destruição. Hoje é o Congresso, comandado pela bancada ruralista, que ameaça aprovar um “Pacote da Destruição”, que afrouxa a legislação ambiental. A “boiada” não pode mais passar.
Agricultura de baixo carbono, agroecologia, subsídios ao pequeno agricultor e fortalecimento de comunidades tradicionais são algumas das saídas já propostas pela sociedade civil para a redução das emissões do uso da terra no território brasileiro. Um país com menos veneno, mais comida e menos impactos socioambientais é possível e deve ser o nosso futuro.
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