Alimentação e clima

Alimentação e clima

Você sabia que comida de qualidade e barata tem tudo a ver com o combate às mudanças climáticas? 

Os eventos climáticos extremos, como secas e inundações, podem gerar quebra de safra na agricultura familiar, responsável por 70% do alimento que chega à mesa do brasileiro. A consequência disto é a diminuição na oferta de alimentos e preços mais elevados. Ou seja, a mudança climática tem um impacto direto e significativo sobre a segurança alimentar e nutricional.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, nos  últimos 10 anos, os eventos climáticos extremos somaram R$ 260 bilhões em danos na agropecuária brasileira. 

Veja só que contradição: os eventos climáticos extremos têm atingido em cheio o setor agrícola, trazendo prejuízo para as safras por conta da seca e das chuvas em excesso. E o setor é, justamente, um dos principal responsável pelas emissões que aumentam a incidência desses eventos climáticos extremos.

De acordo com o Relatório do Estado do Clima Global 2023, aproximadamente de 21 a 37% das emissões totais de gases de efeito estufa (GEE) são atribuíveis a eles por conta da agricultura de larga escala e do uso da terra, bem como do armazenamento, transporte, embalagem, processamento, varejo e consumo dos alimentos. No Brasil, o valor sobe para 73%.

Como as mudanças climáticas impactam na produção de alimentos

  • Estresse hídrico em secas prolongadas pode matar alimentos ou torná-los menores do que o tamanho habitual. 
  • Ondas de calor podem queimar hortaliças. 
  • Inundações acabam não só com a produção, mas também danificam o solo, sendo necessária sua recuperação depois que as águas recuam.
  • Distribuição de pragas e doenças mudará com o aumento da temperatura global, o que afetará negativamente a produção em muitas regiões.    

Mercedes Bustamante, professora do Departamento de Ecologia, da Universidade de Brasília (Unb) traz as seguintes recomendações para prevenir a insegurança alimentar:

  • Investir em sistemas de armazenamento de alimentos que resistam a eventos climáticos extremos.
  • Diversificar as fontes de alimentos e as técnicas de produção agrícola para reduzir os riscos.
  • Adotar sistemas de gerenciamento de água que reduzam os danos às colheitas causados por enchentes ou secas.
  • Implementar práticas agrícolas sustentáveis, como agricultura de plantio direto, agrossilvicultura e culturas de cobertura. 

A agroecologia é uma estratégia de mitigação, resiliência e adaptação no campo, mas políticas públicas ainda dão pouca ou nenhuma assistência para o pequeno produtor. Segundo o mapeamento nacional “Agroecologia, Território e Justiça Climática”, envolvendo mais de 20 mil pessoas em 307 municípios brasileiros, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) foram as principais políticas públicas federais acessadas, mas somente 37,2% das experiências acessaram políticas públicas.

Está claro que é necessário haver uma mudança na forma de produzir e de consumir alimentos. A agricultura de baixa emissão é viável, tanto no lado econômico quanto nos lados social e ambiental. Saiba mais sobre Alimentação e clima neste espaço.

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