Alta em preços da energia causa preocupação na Europa e na China

22 de setembro de 2021

Para quem defende o gás natural, é bom prestar atenção na crise que ele está provocando na Europa, China e nos EUA, e que deve se aguçar com a chegada do inverno ao Norte. Segundo a Reuters, há uma combinação de estoques baixos de armazenamento, aumento da demanda no mundo todo pós-pandemia e uma queda na produção da Rússia e de outros produtores de gás natural liquefeito. O resultado foi um aumento de 280% na Europa e 100% nos EUA. A perspectiva de analistas é a de que a crise atravesse 2022 e talvez chegue até 2023. A matéria conta ainda que executivos do Qatar (maior produtor mundial) dizem que a falta de gás se deve ao pouco investimento que o mundo fez na exploração nos últimos anos.

Na China, a crise do gás caro e pouco se estendeu para o carvão, cujos estoques baixaram. Segundo matéria do Valor, a política climática chinesa dificultou o acesso ao fóssil e a situação se complicou na esteira de uma série de acidentes em minas chinesas. O preço do carvão no mercado futuro aumentou 76% em relação ao ano passado.

Para mitigar o impacto nas contas de luz, os governos europeus irão se reunir para preparar medidas para abrir os cofres e garantir uma eletricidade menos salgada. E, se possível, reduzir a dependência em relação ao gás russo. Matérias do Financial Times e Guardian falam da situação em vários países europeus. Outra matéria do Guardian fala da reação do governo britânico que soa estranhamente familiar: primeiro “negar o problema, desviar a responsabilidade pelo fracasso e retardar a tomada de medidas” efetivas. Essa impressão é reforçada por executivos do setor inglês, segundo uma terceira matéria do Guardian.

Vale ver as análises das causas da crise no Financial Times, Guardian, Independent e na Bloomberg.

O Financial Times soltou um editorial preocupado com o impacto da crise energética sobre os compromissos climáticos dos governos europeus e de suas corporações. A transição para uma matriz energética de baixa emissão só acontece se os preços dos combustíveis fósseis forem mais caros do que os dos renováveis. Este momento de crise não é o ideal para falar em mais aumentos da conta da energia.

Em tempo: A crise do gás é capaz de afetar a ceia de Natal. O preço do gás atingiu a indústria de alimentos. O CO2 da queima do gás é usado para produzir fertilizantes, para atordoar animais antes do abate e para produzir gelo seco usado para preservar legumes e frutas. Duas plantas grandes de CO2 fecharam na semana passada. Assim, as perspectivas são de menos alimentos a preços mais altos. A história saiu no Guardian.

 

ClimaInfo, 22 de setembro de 2021.

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