Governo cria fundo de R$ 1 bilhão para minerais de transição energética

29 de fevereiro de 2024
minerais transição energética
Observatório da Mineração

Brasil vai precisar desses metais, mas expansão não pode repetir padrão histórico do setor mineral, de pouco retorno à sociedade, conflitos e passivo socioambiental gigantesco.

Alguns minerais, como lítio e cobalto, são estratégicos para promover a transição energética, com consequente descarbonização da economia global e eliminação dos combustíveis fósseis. Há uma corrida mundial em busca desses metais, e o Brasil, que dispõe de reservas consideráveis de alguns deles, sai nessa “disputa” com certa vantagem. Mas precisa estar atento para evitar os graves impactos socioambientais costumeiramente causados pela mineração.

Para acelerar a produção nacional, o Ministério de Minas e Energia (MME) e o BNDES vão lançar na próxima semana um fundo para investimentos em projetos de minerais para a transição de até R$ 1 bilhão. Dessa cifra, o banco vai aportar até R$ 250 milhões, com participação limitada a 25% do total. Os demais recursos são esperados de outros investidores nacionais e internacionais, explica o Valor.

O Fundo de Investimento em Participações (FIP) Minerais Estratégicos no Brasil será lançado no Prospectors & Developers Association of Canada (PDAC), a principal convenção de mineração e exploração mineral do mundo, informa o UOL. Seus recursos serão destinados a empresas júnior e de médio porte com projetos de pesquisa mineral, desenvolvimento e implantação de novas minas de minerais estratégicos no Brasil. A ideia é que o fundo invista em 15 a 20 empresas.

Serão priorizados minerais como cobalto, cobre, estanho, grafita, lítio, manganês, nióbio, silício, titânio, tungstênio, urânio e zinco. Fosfato, potássio e remineralizadores, usados para fertilização do solo, também estão no rol de elementos abrangidos pelo fundo.

“Não há transição energética sem mineração e sabemos que o Brasil, com seu amplo território, diversidade geológica e riqueza mineral, será o protagonista”, disse o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em comunicado.

E é justamente aí que mora o perigo. O Observatório da Mineração reitera que o mundo depende da extração desses metais para colocar a transição em prática. Mas destaca que o problema é que essa expansão muitas vezes repete o padrão histórico do setor mineral, de pouco retorno à sociedade, enormes conflitos gerados e um passivo socioambiental gigantesco.

Assim, mudar esse modelo mineral é urgente para que o Brasil e o mundo quebrem o ciclo neoextrativista e garantam uma transição efetivamente justa.

O novo fundo para minerais da transição também foi noticiado por Metrópoles, R7, Poder 360, Capital Reset, epbr, Brasil 247, Terra e BN Americas.

Em tempo: Chamado de “ouro branco”, por conta de sua importância para a necessária transição energética mundial, o lítio foi do céu ao inferno nos últimos dois anos, com queda expressiva de seu valor no mercado, e deve seguir mostrando volatilidade ao longo de 2024. Após alcançar valores históricos em 2022, sustentados pela percepção de oferta escassa ante a demanda projetada, os preços do metal cederam mais de 80%, com o início de operação de novos projetos, incluindo Grota do Cirilo, da Sigma Lithium, no Brasil, e a desaceleração da produção de veículos elétricos, sobretudo na China. No médio e longo prazos, contudo, a expectativa é de valorização e demanda estruturalmente crescente, segundo o Valor.

 

ClimaInfo, 29 de fevereiro de 2024.

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