OPEP diminui projeção de crescimento de demanda de petróleo para 2024 e 2025

10 de setembro de 2024
Europa gás fracking
Jens Buettner/AP

Até mês passado, cartel havia mantido previsão inalterada desde que foi feita pela primeira vez, em julho de 2023; China representa maior parte do downgrade.

Pela 2º mês consecutivo, a Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) reduziu suas projeções para o crescimento da demanda pelo combustível fóssil neste ano e também em 2025. E, segundo o cartel, a grande responsável por esse downgrade é a China.

Em relatório divulgado na 3ª feira (10/9), a OPEP informou que a demanda mundial por petróleo aumentará em 2,03 milhões de barris por dia (bpd) em 2024 – menos que os 2,11 milhões de bpd previstos mês passado, relata o Wall Street Journal. No relatório anterior a entidade já havia reduzido sua projeção anterior para o ano, de 2,25 milhões de bpd, informa a Forbes. Uma previsão que se mantinha desde julho de 2023, lembra a Reuters.

A China representa a maior parte dessa revisão para baixo, com previsão de crescimento da demanda chinesa de 650.000 bpd em 2024, ante 700.000 bpd projetados anteriormente. O uso de petróleo na segunda maior economia do mundo estava enfrentando obstáculos devido a desafios econômicos e à transição para combustíveis mais limpos, disse o cartel.

Para 2025, o cartel agora projeta um crescimento da demanda global por petróleo de 1,74 milhão de barris por dia (bpd). É menos também do que a previsão anterior, de aumento de 1,78 milhão de bpd, mas ainda no limite superior do que a indústria espera.

As novas projeções da OPEP ajudaram a derrubar os preços futuros do petróleo Brent, referência da commodity no mercado internacional. Pela primeira vez em dois anos, o barril do Brent ficou abaixo dos US$ 70, informam Bloomberg, CNBC e Reuters.

Além disso, dados econômicos negativos dos Estados Unidos e da China geraram temores sobre a demanda de petróleo nos dois maiores consumidores do combustíveis fósseis do planeta, aumentando preocupações de que um excedente surja no próximo ano e alimentando recordes de posições pessimistas. E também houve aumento da produção em nações produtoras fora da OPEP, o que aumentou a oferta.

Em tempo 1: Ativistas afirmam que os países do G20 estão se afastando da promessa de transição dos combustíveis fósseis acordada na COP28, em Dubai, em novembro do ano passado. Ministros do grupo se reúnem no Rio de Janeiro na 4ª feira (11/9) para discutir a abordagem global à crise climática, mas deixaram de fora o compromisso explícito na última versão do rascunho de suas resoluções. A omissão pode resultar em um retrocesso sério, temem os ativistas, que pedem a reintegração do compromisso, detalha o Guardian.

Em tempo 2: O Rio de Janeiro também vai ser palco para o lançamento do World Oil Outlook 2024, da OPEP. Em 24 de setembro, na ROG.e, o maior evento da indústria de combustíveis fósseis do Brasil, o cartel lançará a 18ª edição do relatório, que, segundo a OPEP, “fornece revisão e análise aprofundadas das indústrias globais de petróleo e energia e oferece avaliações de vários cenários em seu desenvolvimento de médio e longo prazo”, além de mostrar “o impacto potencial de políticas e desenvolvimento sustentável, e uma análise detalhada dos desafios e oportunidades enfrentados pelas indústrias globais de petróleo e energia”. Ao menos no texto de divulgação, não há qualquer menção a “transição energética”.

 

ClimaInfo, 11 setembro de 2024.

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