Brasil em chamas 1: incêndios pressionam preços dos alimentos

Produtos como café, feijão, carnes e leite encareceram com intensificação do fogo e da seca pelo Brasil; 75% da produção paulista de açúcar foi afetada.
7 de outubro de 2024
Brasil em chamas safras de alimentos
Divulgação via canalrural.com.br

Os impactos da seca histórica que afeta a maior parte do Brasil e dos incêndios na Amazônia, Pantanal e em São Paulo começam a se refletir no bolso dos brasileiros. Um levantamento da Neogrid divulgado pela CNN Brasil indica que o preço médio de vários produtos básicos, como café, feijão, leite e carne aumentou nas últimas seis semanas no país.

A carne bovina é o produto mais afetado, com aumentos variáveis em relação aos diferentes cortes. O preço da picanha, por exemplo, subiu mais de 43% nesse período. Outros cortes também registraram altas expressivas, como o contra-filé (32,6%) e o patinho (21%). 

O feijão teve alta variável de até 22%, com destaque para o tipo branco. O leite teve aumento de 9,6% em seu preço médio. O preço do quilo do café em grão, por sua vez, passou de R$ 92,18 para R$ 104,86 (alta de 13,7%); o café em pó também encareceu de R$ 48,78 o quilo para R$ 55,80 (14,3%). 

Para completar, o preço médio do quilo do açúcar aumentou 5,9% entre agosto e setembro. Em grande parte, a alta é resultado dos incêndios que afligiram o interior de São Paulo nesse período. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), cerca de 230 mil hectares de lavouras foram afetados pelo fogo em agosto.

A Organização das Associações de Produtores de Cana do Brasil (ORPLANA) indicou que os prejuízos causados pelo fogo podem superar R$ 2,5 bilhões, com a quebra de cerca de 15% da safra de cana. Em todo o Brasil, mais de 390 mil hectares de cana foram incendiados nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A notícia é do Canal Rural.

  • Em tempo 1: As investigações em torno dos incêndios que tomaram o interior paulista em agosto passado indicam que o fogo foi intencionalmente ateado por criminosos na maior parte das ocorrências, informou a Folha. Promotores do Ministério Público de São Paulo descartam outras possibilidades, como o envolvimento de facções do crime organizado e indicam ser remota a hipótese de uma grande articulação, tal como o infame “Dia do Fogo” em Novo Progresso (PA) em 2019. As apurações sugerem autorias individuais, alguns com suspeita de transtornos mentais ou motivados por vingança.

  • Em tempo 2: A onda de reeleições de prefeitos na disputa eleitoral de 2024 beneficiou os mandatários com ficha corrida de crimes ambientais. A Agência Pública destacou o desempenho positivo dos prefeitos acusados de desmatamento e queimadas no Mato Grosso e no Pará, que conseguiram se reeleger em primeiro turno no último domingo (6/10). Um exemplo é Weder Makes Carneiro (MDB), prefeito reeleito de Brasil Novo (PA), que acumula R$ 5,5 milhões em multas ambientais.

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