
Organizações da sociedade civil entregaram ao Itamaraty na última 2ª feira (11/8) uma carta com um apelo para que o Brasil defenda o fim da exploração de petróleo e gás na Amazônia. O manifesto antecede a cúpula da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), marcada para 22 de agosto para Bogotá, na Colômbia, que deve aprovar uma declaração conjunta sobre a crise climática. O texto servirá de base para a posição do bloco de países amazônicos na COP30, informam eixos e Conexão Planeta.
As organizações pedem que a Declaração de Bogotá inclua um compromisso explícito de transformar a Amazônia na primeira zona global de exclusão da exploração e produção de combustíveis fósseis. “É hora de dar um passo corajoso e tomar uma decisão clara: não mais expansão de combustíveis fósseis na Amazônia.”
João Pedro Galvão, coordenador de Articulação do Coletivo Pororoka, uma das organizações que assina a carta, enfatizou a necessidade e a urgência de dizer não à expansão dos combustíveis fósseis na área da Floresta Amazônica, relata o Correio Braziliense. Além dos acidentes e vazamentos de petróleo e gás, a exploração de petróleo na Amazônia negligencia os Povos Originários que residem nos locais das explorações, afirma Galvão.
A carta é um claro recado aos defensores do petróleo até a última gota presentes no governo Lula, e vem na iminência da licença do IBAMA para a Petrobras perfurar um poço no bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas. Ontem aconteceu uma reunião para a definição das datas para a Avaliação Pré-Operacional (APO), simulado de vazamento de petróleo e atendimento à fauna. “Seguimos observando com preocupação a abertura de novas frentes de exploração petrolífera e gasífera em diversos países da região [amazônica]. Esta contradição entre os compromissos assumidos e as práticas atuais ameaça comprometer não apenas os objetivos climáticos globais, mas também os direitos dos Povos Indígenas e das comunidades locais.”
Para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o atual debate sobre a política energética no Brasil evidencia a empresas como a Petrobras a necessidade de deixarem de ser apenas exploradoras de petróleo para passarem a investir mais em energia limpa e renovável, relata o g1. Entretanto, as falas da presidente da empresa, Magda Chambriard, e os baixos investimentos da petrolífera em fontes renováveis mostram uma Petrobras muito longe de se transformar numa empresa de energia.
Em tempo: Enquanto as mudanças climáticas exigem urgência na eliminação dos combustíveis fósseis, as principais petrolíferas do mundo intensificam sua busca por novas reservas de petróleo e gás, seguindo o lema “Drill, baby, drill!” do presidente dos EUA, Donald Trump. Executivos das BP, Chevron, ExxonMobil, Shell e TotalEnergies usaram recentes teleconferências de resultados para destacar como começaram a focar na garantia de novas reservas, em detrimento dos investimentos em renováveis, informa o Financial Times, em matéria traduzida por Folha e Valor.



