Brasil perdeu uma “Bolívia” de vegetação nativa em 40 anos

Índice de vegetação nativa caiu para 65%, enquanto 32% do território nacional é ocupado pela agropecuária.
14 de agosto de 2025
brasil perdeu vegetação nativa em 40 anos
Reuters/Ueslei Marcelino via Agência Brasil

O Brasil perdeu entre 1985 e 2024 cerca de 111,7 milhões de hectares de vegetação nativa – área correspondente à da Bolívia. Os dados são da Coleção 10 do MapBiomas, lançada nesta 4ª feira (13/08). Atualmente, 65% do território brasileiro está coberto pela vegetação nativa, enquanto 32% é ocupado pela agropecuária. Já a vegetação secundária – em regeneração em áreas desmatadas – corresponde a 6,1%.

O avanço da agropecuária sobre o território nacional é uma das principais mudanças no uso da terra no Brasil nos últimos 40 anos. As pastagens tiveram um aumento de 62 milhões de hectares, enquanto a agricultura teve crescimento de mais de 44 milhões de hectares. O perfil dos municípios também acompanhou essas mudanças: em 1985, 47% deles tinham a agropecuária como uso predominante. Em 2024, este número subiu para 59%.

De 1985 a 1994, o crescimento das pastagens impulsionou a perda de 36,5 milhões de hectares de vegetação nativa. Na década seguinte, a transformação se acelerou e o desmatamento no Brasil chegou ao maior patamar da sua história: a conversão de floresta subiu para quase 45 milhões de hectares. A região mais impactada foi a do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), no Cerrado.

Segundo o relatório, a partir de 2015, o desmatamento foi impulsionado não mais pela agropecuária, mas sim pela mineração, informam g1, Folha, Valor Econômico e Agência Brasil. De acordo com a análise, 58% da área utilizada pela atividade hoje tem origem nesse período, em especial na região amazônica.

Além da perda de vegetação, o país também perdeu 12% das suas áreas alagadas e úmidas. A área perdida equivale à do estado de Pernambuco, comparam UOL e Brasil de Fato. Os pesquisadores identificaram redução a cada década dos ciclos de inundação do Pantanal; já a Amazônia registrou oito dos dez anos de menor superfície de água da série histórica entre 2015 e 2024.

Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas, afirmou em entrevista a’O Globo que é preciso evitar o retrocesso legislativo sobre a proteção da natureza conquistada nessas quatro décadas, controlar as queimadas derivadas das mudanças climáticas e controlar a diminuição do ciclo de cheias no Pantanal.

O novo relatório do MapBiomas também foi notícia na Cultura, nos Correio Braziliense, Metrópoles, CNN Brasil e Pará Terra Boa, Poder 360, SBT News e na Veja.

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