
A oferta global de petróleo aumentará mais rapidamente do que o esperado neste ano e em 2026, à medida que os membros da OPEP+ aumentam ainda mais a sua produção e a oferta de fora do grupo cresce. A projeção é do relatório Oil Market Report, da Agência Internacional de Energia (IEA) divulgado nesta 4ª feira (13/8).
Segundo a IEA, a oferta aumentará em 2,5 milhões de barris por dia (bpd) em 2025, acima dos 2,1 milhões de bpd previstos anteriormente pela agência. No próximo ano, a oferta aumentará mais 1,9 milhão de bpd, ante os 1,3 milhão de bpd da previsão anterior, informam Reuters e Valor.
A oferta se manteve estável em julho, já que as quedas na produção da OPEP+ no mês passado foram compensadas pelo aumento da extração de produtores não integrantes ou aliados do cartel. A produção da Arábia Saudita caiu em relação aos máximos de junho, quando vários produtores do Golfo aumentaram as exportações por medo de interrupções no fornecimento no Estreito de Hormuz.
Com a oferta em expansão, os estoques mundiais de petróleo se acumularão a uma taxa de 2,96 milhões de barris por dia, superando até mesmo a média do ano pandêmico de 2020, segundo a IEA. Já a demanda mundial por petróleo neste ano e no próximo está crescendo a menos da metade do ritmo observado em 2023, informa a Bloomberg.
“Os equilíbrios do mercado de petróleo parecem cada vez mais inflados, já que a oferta prevista supera em muito a demanda no final do ano e em 2026”, afirmou a agência. “Está claro que algo terá que ceder para que o mercado se equilibre.”
Os preços do petróleo bruto caíram cerca de 12% neste ano, sendo negociados perto de US$66 o barril em Londres. Isso porque o aumento da oferta da OPEP+ e de seus rivais coincide com a crescente preocupação com os impactos sobre o crescimento econômico mundial provocados pelas guerras comerciais do presidente dos EUA, que provavelmente devem reduzir a demanda por petróleo.
Ainda que a Foz do Amazonas, se a exploração for bem sucedida, só deva produzir combustíveis fósseis a partir de 2031/2032, a nova projeção da IEA deveria servir de alerta para a Petrobras e demais petrolíferas. Com oferta excedente em alta e demanda tendendo a cair a partir de 2030, o risco de ativos encalhados na Foz só faz crescer.
Valor, Exame, eixos, Reuters, Wall Street Journal, CNN, Newsweek e Financial Times repercutiram o novo relatório da IEA.



