Mudanças climáticas podem reduzir drasticamente recarga de aquíferos

Sudeste e Sul do Brasil devem ficar mais secos; cerca de 56% da população do país é abastecida total ou parcialmente por essa fonte.
20 de agosto de 2025
mudanças climáticas aquíferos
Domínio Público CC0 1.0

As mudanças climáticas podem comprometer a disponibilidade hídrica em todo o território brasileiro até o final do século, segundo um novo estudo publicado no periódico Environmental Monitoring and Assessment. Regiões como Sudeste e Sul devem ficar mais secas à medida que a temperatura aumenta e a distribuição de chuvas se torna mais desigual.

O estudo foi conduzido por cientistas do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Invisíveis aos nossos olhos, as águas subterrâneas se acumulam abaixo da superfície terrestre, em formações geológicas chamadas aquíferos, informa a Revista FAPESP. Elas se infiltram após chuvas e abastecem poços, nascentes, rios e ecossistemas. No Brasil, cerca de 56% da população é abastecida total ou parcialmente por essa fonte.

O estudo utilizou um modelo de balanço hídrico baseado em geoprocessamento e dados de projeções climáticas para estimar as alterações de temperatura, precipitação, escoamento superficial e recarga de aquíferos entre 2025 e 2100.

Foram considerados dois cenários de emissão de gases do efeito estufa: um moderado e outro pessimista. As regiões Sudeste e Sul ficarão mais secas nos dois cenários. O aumento das temperaturas médias nos dois cenários é de 1,02oC e 3,66oC até o final do século.

Enquanto a região Norte e parte do litoral Leste devem ter queda na precipitação anual, o Sul e partes do Nordeste (Ceará, Piauí e Maranhão, em especial) devem sofrer aumentos pontuais, relatam Veja e Gigante 163.

Com verões mais chuvosos e períodos secos mais longos, as chuvas devem acontecer de forma mais intensa e concentrada, provocando inundações. O cenário não favorece a infiltração de água no solo, explica Ricardo Hirata, professor titular do Instituto de Geociências da USP e autor principal do artigo científico.

Segundo o pesquisador, o processo de penetração da água no solo e infiltração até o aquífero pode demorar meses. “Se a chuva for intensa demais e durar pouco, essa água não chega lá”, afirma.Na Folha, Hirata afirma que a água subterrânea tem sido esquecida nos debates sobre mudanças climáticas. “Quando se fala do clima, fala-se de rios, de vegetação, de agricultura. Mas os aquíferos não entram na agenda”, diz.

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