
Quatro ondas de calor, tempo seco e ventos fortes alimentaram a temporada de incêndios florestais mais destrutiva em 20 anos na Europa. Dados do serviço climático do observatório europeu Copernicus destacam, em especial, a situação da Península Ibérica.
A fumaça dos incêndios na região chegou à França, ao Reino Unido e à Escandinávia. Em apenas uma semana, a Espanha já bateu o recorde de emissões anuais por incêndios da série histórica iniciada em 2003. Embora a onda de calor mais recente tenha arrefecido, cerca de 40 incêndios seguem ativos no país.
O fogo já queimou mais de 382 mil hectares, mais de seis vezes a média da área queimada no mesmo período entre 2006 e 2024. Portugal também bateu recorde: incêndios devastaram mais de 200 mil hectares, configurando o pior ano para o país desde 2006, informa a Bloomberg.
Unidades alemãs de combate a incêndios chegaram ao norte da Espanha na 3ª feira (19/8). Aviões e equipes especializadas estão chegando também da Finlândia e da Eslováquia, contam Reuters e Guardian.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, disse que, para além da ciência, “agricultores e pecuaristas sentem o clima mudando e a emergência climática se tornando cada vez mais recorrente, mais frequente e com um impacto cada vez maior”.
A região de Galícia, no noroeste do país, foi particularmente atingida nos últimos dias, conta a Associated Press. Incêndios devastaram cidades pequenas e forçaram moradores locais a intervirem contra o fogo antes da chegada dos bombeiros.
Folha e France 24 destacam a avaliação da agência de saúde pública da Espanha sobre as mais de mil mortes relacionadas aos incêndios – a maioria de pessoas com mais de 65 anos e pessoas que já sofriam outras doenças.
Condições mais frias e úmidas deram um respiro aos bombeiros no oeste do país, mas as autoridades alertam para a possibilidade dos incêndios ainda persistirem por semanas.
Segundo cientistas, as mudanças climáticas estão exacerbando a frequência e a intensidade do calor e da seca em partes da Europa, tornando a região mais vulnerável a incêndios florestais.



