CEO da Chevron rejeita previsões de pico de demanda de petróleo

Segunda maior petrolífera dos EUA extraiu volume recorde de petróleo e gás no último trimestre, 3,4 milhões de barris por dia.
3 de setembro de 2025
chevron previsões pico demanda petróleo
Reprodução/chevron.com

A indústria dos combustíveis fósseis nega com unhas e dentes as projeções de pico da demanda por petróleo no mundo até 2030. E faz de tudo para aumentar a oferta, acreditando no crescimento do consumo (ou tentando monetizar reservas antes da queda da demanda).

O mais recente caso de negacionismo vem do presidente executivo da Chevron, Mike Wirth, mostram NY Times e OilPrice. Para o executivo, enquanto o mundo estiver usando petróleo e gás, sua empresa e outras petrolíferas têm a responsabilidade de fornecer esses combustíveis de forma acessível e confiável, “porque isso promove o progresso humano”. Os países vulneráveis, que sofrem o peso dos eventos extremos induzidos pelas mudanças do clima, que o digam.

Segunda maior petrolífera dos Estados Unidos, atrás da Exxon, a Chevron extraiu um volume recorde de petróleo e gás no último trimestre, cerca de 3,4 milhões de barris por dia. E espera o presidente Donald Trump cumprir a promessa de facilitar a obtenção de licenças para mais perfurações.

Mas nem tudo está bem. Os preços do petróleo caíram à medida que a oferta abundante encontrou uma demanda mais fraca, em parte devido à turbulência econômica gerada por Trump. E os lucros da Chevron caíram junto com os preços do petróleo, que devem continuar caindo, segundo muitos analistas.

Já a Exxon resolveu colocar a culpa no carvão, lavando as mãos do petróleo e do gás fóssil que produz. Segundo o Panorama Energético Global da petrolífera, publicado na semana passada, as metas de redução das emissões do setor global de energia provavelmente irão ainda mais além de 2050 devido à resistência dos consumidores aos altos custos e à retomada da demanda por carvão, por causa da “intermitência” das fontes eólica e solar, informa a Bloomberg.

Segundo o documento da Exxon, as emissões globais cairão em um quarto até 2050, muito aquém da redução de mais de dois terços necessária para atingir as metas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). A previsão de emissões para meados do século é quase 4% maior do que a feita pela petrolífera em 2024.

Mas a cruzada estadunidense antirrenováveis liderada por Trump (e celebrada por Exxon, Chevron e outras petrolíferas) tem limites, avalia Andrew Behar, CEO da As You Sow, organização sem fins lucrativos dos EUA dedicada à defesa e engajamento de acionistas. E ele está justamente no mercado adorado pelo “agente laranja”.

“Enquanto muitos políticos negam deliberadamente os benefícios e o progresso da energia limpa, investidores de todos os níveis concordam que a transição energética faz sentido econômico. É o mercado – não a política – precificando o futuro em tempo real”, disse na Fortune.

  • Em tempo: O Brasil pediu formalmente para passar de país associado a membro pleno da Agência Internacional de Energia (IEA), informou a entidade, em uma medida que reforçaria a importância do Brasil nos mercados globais de energia. “O Brasil é hoje um pilar fundamental do sistema energético global e sua importância tende a aumentar nos próximos anos. Estamos ansiosos para discutir os próximos passos com o país e nossos governos membros”, disse Fatih Birol, diretor executivo da IEA. A Reuters deu mais detalhes.

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