
Países em desenvolvimento apoiados por ativistas climáticos pressionam pela inclusão da produção de minerais críticos na definição oficial de “transição justa” durante a COP30. A solicitação é capitaneada pelo G77, grupo que inclui também a China.
O grupo solicita que minerais essenciais e acesso à energia estejam dentro do escopo do Programa de Trabalho para uma Transição Justa (JTWP) nas negociações de Belém e em qualquer mecanismo de compartilhamento de recomendações que possa surgir da conferência do clima, informa o Climate Home. “Vemos os minerais essenciais como uma das prioridades que temos tentado abordar quando analisamos a transição energética justa”, disse o negociador egípcio Khaled Hashem, líder do G77 no tema.
Metais como cobre, cobalto, lítio e níquel são essenciais para equipamentos como baterias de veículos elétricos e turbinas eólicas. Grandes reservas desses minerais são encontradas em países em desenvolvimento, como República Democrática do Congo, Chile, Indonésia e, também, no Brasil.
Essas nações querem maximizar os benefícios da produção de minerais, por meio da criação de empregos locais com bons salários, receitas para o governo e indústrias de processamento nacionais. Ao mesmo tempo, pretendem minimizar potenciais desvantagens, como a degradação ambiental causada pela mineração e abusos dos direitos de trabalhadores.
A COP30 é uma oportunidade para o Brasil assumir uma posição importante em um novo arranjo geopolítico influenciado pela crise climática, que venha a incluir a revitalização do multilateralismo no comércio global, avaliam especialistas da Fundação Dom Cabral (FDC) no Valor. No novo cenário global desenhado com a chegada de Trump à presidência dos Estados Unidos, a bipolaridade entre China e EUA começa a dar lugar a uma liderança mais disseminada, com Brasil e China assumindo papéis mais centrais.
A análise reforça a perspectiva do presidente da conferência, embaixador André Corrêa do Lago. Para ele, a COP30 deve marcar uma mudança das negociações em direção à implementação dos compromissos dos países e abrir portas para um conjunto mais amplo de atores essenciais, destaca o Hindustan Times.
Corrêa do Lago esteve em Nova Déli, na Índia, participando do terceiro diálogo regional do Balanço Ético Global (BEG), informa a Agência Brasil. O encontro na Ásia reuniu 22 lideranças de diferentes setores e foi conduzido pelo ativista indiano e vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Kailash Satyarthi.
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Em tempo 1: Enviada especial do Brasil para a COP30, a cientista indígena e liderança do Povo Wapichana, Sineia do Vale, atua pelo reconhecimento pelo mundo da demarcação de Terras Indígenas como política climática, informa o g1. Sineia é copresidente do Fórum Internacional dos Povos Indígenas sobre Mudanças Climáticas (IIPFCC), o Caucus Indígena, grupo que trabalha para garantir a participação dos Povos Indígenas nas negociações.
Em tempo 2: Até 10 de setembro, líderes de países africanos se reúnem em dois momentos decisivos: a Semana do Clima da ONU na África (até 6 de setembro) e a 2ª edição da Cúpula do Clima da África (ACS2), de 8 a 10 de setembro. O continente tem uma ambição clara: liderar, inovar e exigir uma parcela justa da resposta global ao clima. A sociedade civil as comunidades locais africanas pressionam por uma agenda que leve resiliência onde é mais necessária, promova energias renováveis e garanta financiamento sem agravar dívidas e assegure soluções justas, feitas com e para a África, analisa Cinthia Leone, do ClimaInfo, na Central da COP.
Em tempo 3: O Brasil emitirá vistos eletrônicos para cidadãos dos países participantes da COP30. O e-Visto agilizará a entrada no país. Nacionais de países para os quais o Brasil demanda visto poderão obtê-lo via digital, sem necessidade de comparecimento ao consulados ou embaixadas. Até então, essa facilidade era permitida apenas para cidadãos dos EUA, Canadá e Austrália. O Metrópoles repercutiu a notícia.



