
A Agência Federal de Redes da Alemanha divulgou na última 2ª feira (1/9) que o país cumpriu sua meta de redução de geração de energia baseada em carvão prevista para 2028, com três anos de antecedência. Além do cumprimento mais rápido, a redução foi 10% superior à buscada, o que mostra os esforços da maior economia da Europa na transição energética, que tem quase dois terços da eletricidade gerada a partir de fontes renováveis.
Apesar da boa nova, a Alemanha segue sendo o maior poluidor do da União Europeia. Como a Folha explicou, o país planeja eliminar a geração de energia via carvão até 2038, mas algumas usinas de linhito (o tipo mais pobre de carvão mineral) ligadas à mineração terão mais tempo para encerrar suas atividades.
Os operadores de usinas também precisam comprar permissões de carbono sobre o sistema de comércio de emissões da União Europeia, que chegam a €74 (cerca de R$ 470), de acordo com Bloomberg e Poder360.
Como a Reuters pontuou, existe um forte lobby para minar a atual estratégia de transição energética do país. A Câmara de Comércio e Indústria Alemã (DIHK) calcula perda de até €5,4 trilhões (R$ 34 trilhões) até 2049, sobrecarregando empresas, famílias e enfraquecendo a competitividade.
Na 4ª feira (3/9) a Agência Federal de Redes da Alemanha alertou para riscos de déficits de energia em 2030 caso a expansão das energias renováveis desacelere. O país desativou suas últimas usinas nucleares em 2023 e parou de comprar gás da Rússia e agora aposta fortemente em energia renovável e gás fóssil – leilões estão previstos para o final do ano. A medida é criticada por ativistas do clima.
Em tempo: Enquanto a União Europeia corre risco de perder o prazo de apresentação das suas metas climáticas para a COP30, a França quer garantir mais espaço para a energia nuclear na matriz energética do bloco, além de flexibilizar outros pontos. Em reunião do bloco na última 3ª feira (2/9), o país pediu que as discussões da meta climática sejam elevadas ao nível dos líderes, espaço reservado normalmente para questões controversas. A posição do país é apoiada por Polônia, Hungria, República Tcheca e Eslováquia. A Bloomberg detalha o caso.



