Esquema global de precificação de carbono pode entrar no radar da COP30

Entre financiamento e metas climáticas, o governo brasileiro também quer impulsionar a coordenação internacional sobre o tema.
4 de setembro de 2025

O governo acredita que a COP30 pode render progressos significativos na ação climática global e provar a resiliência do multilateralismo em um momento de ataques contínuos. Mas, entre os impasses envolvendo o financiamento e as metas climáticas dos países, há outro item prioritário da agenda do Brasil para a conferência do clima, segundo o Financial Times: o impulso para a coordenação internacional sobre os esquemas de precificação de carbono.

O assunto, porém, é polêmico, devido às decisões recentes da União Europeia. A partir de 2026, o bloco começará a aplicar seu mecanismo de ajuste de carbono nas fronteiras (CBAM). A medida fez países em desenvolvimento correrem para criar sistemas próprios de precificação, já que a taxa CBAM sobre importações será ajustada para deduzir qualquer carbono já pago no país de origem.

Ainda assim, muitas nações, incluindo Brasil, China e Índia, reclamaram que o CBAM penalizará os países em desenvolvimento que estão em um estágio inicial de sua transição energética. Por isso o Brasil quer usar a presidência da COP30 para pressionar por uma estrutura internacional de precificação de carbono diferente — baseada em acordos multilaterais, em vez de ter a UE como única definidora de padrões de fato.

“A criação de um mercado de carbono global dependeria da aprovação de 200 países na COP, o que não é politicamente viável”, disse Rafael Dubeux, secretário executivo adjunto do Ministério da Fazenda. Por isso, a ideia é persuadir a UE e a China a se juntarem ao Brasil em um acordo sobre um conjunto básico de regras para orientar a interação entre os sistemas mundiais de precificação de carbono. Com isso, o Brasil espera um efeito “magnético” que atraia outros países, explicou Dubeux.

A grande dor de cabeça da  COP30, contudo, continua sendo o financiamento climático. E o progresso em direção aos US$ 1,3 trilhão anuais almejados está bem lento, frisou Vishwas Chitale, fellow em resiliência climática do think tank indiano Conselho de Energia, Meio Ambiente e Água (CEEW, sigla em Inglês), ao Times of India. Chitale ressaltou que o financiamento ainda depende amplamente das nações desenvolvidas, que seguem destinando montantes muito abaixo do necessário.

Outro desafio da conferência envolve a agenda de ação. Para Thelma Krug, líder do Conselho Científico da COP30, será preciso mostrar aos negociadores a importância de se aumentar a ambição climática, inclusive revendo as metas estabelecidas para 2030. Mas ela lembra que a maioria dos países ainda não entregou suas novas NDCs, com objetivos para 2035.

“Um dos pontos que acho fundamental seria justamente ver onde a gente vai estar e a necessidade de rever a ambição que os países estão colocando à mesa. Claro que colocar metas de emissões não resolve o problema. O problema é implementar essas metas”, disse, em entrevista n’((o))eco.

  • Em tempo: A organização da Rio Climate Action Week (RCAW) anunciou a continuidade do evento em 2026, bem como uma versão regional no Pará. Em uma semana, a RCAW mobilizou mais de 20 mil pessoas em 240 atividades. A programação, que debateu temas como resiliência climática e periferia, foi considerada um sucesso pelos organizadores, que pretendem repeti-la nos próximos anos. A notícia é d’((o))eco.

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