Circulação de águas do Atlântico pode enfraquecer e impactar chuvas na Amazônia

Mudança de chuva acontecerá em todo o cinturão tropical; no Brasil, impacto será maior na porção mais preservada da Floresta Amazônica.
16 de setembro de 2025
circulação de águas do atlântico pode enfraquecer e impactar chuvas na amazônia
Agência FAPESP -CEN/Universität Hamburg

Um novo estudo realizado por pesquisadores do Brasil, Alemanha e Suíça mostrou que, depois de passar 6,5 mil anos estável, a Circulação Meridional do Atlântico (AMOC) está enfraquecendo. A AMOC é um dos principais reguladores do clima terrestre, funcionando como uma “esteira” oceânica que transporta nutrientes, calor e conecta águas superficiais da porção tropical a águas profundas do norte. O achado, que foi publicado na revista científica Nature Communications, utilizou dados de pesquisa de campo com projeções dos melhores modelos climáticos.

“Reconstruímos o avanço das águas profundas do Atlântico Norte rumo ao Atlântico Sul ao longo de 11.500 anos. E, nos últimos 6.500 anos, não detectamos nenhuma oscilação maior, minimamente próxima daquilo que está projetado para 2100. O cenário futuro é muito preocupante. E deve ser levado a sério tanto pelos governos quanto pela sociedade civil, incluída a comunidade científica”, afirma Cristiano Mazur Chiessi, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP) e coautor do estudo.

A AMOC é considerada um dos nove limites planetários e seu enfraquecimento irá causar mudanças nas chuvas de todo cinturão tropical do planeta – em especial América do Sul e África, mas também chegando a afetar as monções da Índia e Sudeste Asiático, informam Folha e Estadão.

No Brasil, o norte da Amazônia deve ser o mais afetado, com redução drástica do regime de chuvas. As chuvas equatoriais devem se deslocar mais para o sul, o que preocupa os autores, tendo em vista que a região norte é a mais preservada e um “porto seguro” da biodiversidade.”Ainda existe tempo, mas nossas ações precisam ser robustas, rápidas e conectadas, envolvendo governos e sociedade civil”, ressalta Chiessi na Agência FAPESP.

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