Crise climática mais que triplicou mortes por calor intenso na Europa

Temperaturas 3,6oC mais altas resultaram em cerca de 16,5 mil mortes no continente europeu, de acordo com estudo.
18 de setembro de 2025
chuvas atletas público onda de calor Olimpíadas Paris
PxHere

A crise climática foi responsável por duas em cada três mortes por calor no verão europeu 2025, aponta análise preliminar publicada pelo Imperial College London (ICL), do Reino Unido. A pesquisa abrangeu 854 cidades europeias, onde temperaturas foram 3,6oC mais altas, com termômetros chegando a 46oC na Itália, Alemanhã e França. A análise ainda não foi submetida à revisão por pares.

Para chegar aos números, cientistas cruzaram dados de temperatura e mortalidade e compararam os resultados com um mundo hipotético sem mudanças climáticas. Eles descobriram que o calor excessivo foi responsável por 16,5 mil das 24,4 mil mortes por calor entre junho e agosto, informam Guardian e Bloomberg.

Os mais atingidos foram os idosos: 85% dos mortos tinham mais de 65 anos e 41% acima de 85 anos. Entidades médicas vêm pedindo aos governos europeus planos de ação para combater o calor extremo, como espaços mais verdes e ar-condicionado para grupos vulneráveis.

Os pesquisadores do ICL e da London School of Hygiene & Tropical Medicine, que lideraram a análise, lembram que esse é apenas um recorte da realidade, pois as cidades estudadas concentram apenas 30% da população europeia, destaca o Euronews.

“Um aumento de apenas 2oC a 4oC na temperatura de uma onda de calor pode significar a diferença entre a vida e a morte para milhares de pessoas”, disse Garyfallos Konstantinoudis, professor do Instituto Grantham para Mudanças Climáticas, que contribuiu para o estudo, ao site POLITICO. “É por isso que as ondas de calor são conhecidas como assassinas silenciosas”.

“A ligação entre a queima de combustíveis fósseis e o aumento do calor e da mortalidade é inegável”, disse Friederike Otto, climatologista do ICL e coautora do relatório. “Se não tivéssemos continuado a queimar combustíveis fósseis nas últimas décadas, a maioria das estimadas 24.400 pessoas na Europa não teriam morrido neste verão”.

O estudo sobre o aumento de mortes por conta do calor extremo europeu também foi notícia no Al-Jazeera, Independent, NY Times e RFI.

  • Em tempo: Ondas de calor causaram mais de mil mortes na Austrália entre 2016 e 2019, mostrou um novo estudo liderado por pesquisadores da Universidade Monash. Recentemente, a avaliação nacional de risco climático identificou as ondas de calor como o perigo climático que mais causa mortes no país. Queensland registrou a maior taxa de mortalidade, seguido por Nova Gales do Sul e Território do Norte. Grupos mais vulneráveis, como comunidades com maiores proporções de idosos, desigualdade de gênero, indivíduos que necessitam de assistência e menor renda ou escolaridade apresentaram maiores taxas de mortalidade. O Guardian deu mais detalhes.

Continue lendo

Assine Nossa Newsletter

Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

Em foco

Aprenda mais sobre

Justiça climática

Nesta sessão, você saberá mais sobre racismo ambiental, justiça climática e as correlações entre gênero e clima. Compreenderá também como esses temas são transversais a tudo o que é relacionado às mudanças climáticas.
2 Aulas — 1h Total
Iniciar