
Na última década, as maiores capitais do mundo passaram a sofrer com mais dias extremamente quentes a cada ano do que registravam entre meados dos anos 1990 e 2000. A constatação é de um estudo do International Institute for Environment and Development (IIED). Sem medidas urgentes, cada vez mais pessoas viverão essas condições perigosas, disseram analistas ao Guardian.
Os pesquisadores compilaram dados de temperatura das 40 capitais mais populosas do planeta e de outras três cidades de alto significado político a partir de 1994. Como o Independent assinalou, o número de dias acima de 35°C nessas cidades aumentou 26% no período de 31 anos estudado, passando de uma média de 1.062 por ano entre 1994 e 2003 (somando todas as cidades) para 1.335 entre 2015 e 2024. Nove locais registraram seu maior número de dias extremamente quentes em 2024.
Os três anos com maior índice de calor extremo ocorreram recentemente, em 2024, 2023 e 2019. O aumento foi observado em todo o mundo, com a média de dias acima de 35°C dobrando em Roma e Pequim e triplicando em Manila. Em Madri, agora há uma média de 47 dias por ano acima de 35°C, em comparação com 25 antes. Em Londres, o número de dias acima de 30°C dobrou.
Anfitrião da COP30, o Brasil também registrou resultados impressionantes. Brasília teve apenas três dias com temperaturas acima de 35°C no total entre 1994 e 2003, em comparação com 40 entre 2015 e 2024. Em São Paulo, a maior cidade do país e com clima mais frio que a capital federal, 120 dias atingiram 30°C em 2024 – o maior número no período estudado.
Os resultados destacam a importância de adaptar as cidades aos efeitos das mudanças climáticas e reduzir as emissões de gases de efeito estufa. “Não é um problema que podemos resolver com ar-condicionado. Resolvê-lo requer mudanças abrangentes na forma como os bairros e os edifícios são projetados, além de trazer a natureza de volta às cidades na forma de árvores e outras plantas. A mudança climática é a nova realidade. Os governos não podem mais ficar com a cabeça enterrada na areia”, disse Anna Walnycki , pesquisadora principal do IIED.
Em tempo: Não há nenhuma boa notícia no relatório anual “Estado dos Oceanos”, elaborado pelo serviço Copernicus, da União Europeia. A 9ª edição do documento constata que uma tripla crise ambiental já afeta todos os oceanos do mundo. Mudanças climáticas, perda de biodiversidade e poluição atingem proporções planetárias. A lista de problemas é extensa: oceanos mais quentes, e rapidamente; aumento do nível do mar mais acelerado, ameaçando paisagens e populações; ecossistemas afetados pela temperatura marinha e acidificação; espécies invasoras prejudicando a indústria da pesca; poluição de plásticos e microplásticos global; e as massas de gelo diminuindo nos dois polos. A Folha deu mais detalhes.



