
As decisões do governo de Donald Trump de eliminar um crédito tributário ao consumidor de US$ 7,5 mil e abrandar regras de emissões reduzirão drasticamente a demanda por veículos elétricos nos Estados Unidos. A avaliação é do CEO da Ford, Jim Farley. O executivo prevê que a participação de veículos com emissão zero – atualmente em torno de 10% do mercado dos EUA – pode cair pela metade.
A avaliação contundente, citada por Bloomberg, Bloomberg Línea, Reuters, Fortune, CNBC,e Gizmodo, destaca a rápida mudança da indústria automobilística sob Trump. Muitos grandes fabricantes estão adiando os planos de produção de VEs e redirecionando os investimentos para veículos com motor de combustão interna e híbridos.
A Ford é um exemplo. Sua unidade de veículos elétricos, Model-e, teve prejuízo de cerca de US$ 1,3 bilhão no 2º trimestre, e a montadora prevê que poderá perder até US$ 5,5 bilhões com VEs este ano. As vendas da Ford despencaram 31% no período, impactadas pelo envelhecimento dos modelos e pela paralisação temporária das vendas do Mustang Mach-e elétrico devido a um recall de segurança.
No entanto, no 3º trimestre, as vendas de VEs da Ford se recuperaram e bateram recorde, assim como ocorreu com a General Motors e a Hyundai, segundo a CNBC. Tanto a GM quanto a Ford informaram que as vendas gerais aumentaram cerca de 8% em relação ao ano anterior, com as vendas de VEs mais do que dobrando para a GM. Já a Hyundai registrou aumento de 13% nas vendas em relação ao ano anterior no 3º trimestre, também liderado pela duplicação das vendas de veículos totalmente elétricos.
No geral, as vendas de veículos elétricos nos EUA aumentaram 18% em agosto, para 146.332 veículos, e analistas esperam outro grande aumento em setembro. Mas o fim do crédito tributário provavelmente encerrará a festa. A expectativa é que as vendas despenquem nos últimos três meses do ano e, depois disso, permaneçam fracas por algum tempo, informam NY Times e Independent.
Enquanto isso, as repetidas falas de Donald Trump de que está recuperando a indústria automobilística estadunidense (surpresa!) não condizem com a realidade, segundo a Reuters. Há poucas evidências de uma onda de construção de novas fábricas de automóveis no país. Em vez disso, as montadoras estão adotando medidas táticas em fábricas existentes, adaptando-se aos dois pilares da agenda empresarial do segundo mandato de Trump: tarifas e políticas hostis aos veículos elétricos.



