Brasil pode dobrar produção de biocombustíveis sem desmatar, mostra análise

Cultivo adicional para biocombustíveis pode usar parte dos 56 milhões de hectares de pastos degradados.
9 de outubro de 2025
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Ricardo Botelho/MME

Os biocombustíveis são uma alternativa para descarbonizar o setor de transportes que o Brasil já conhece bem e domina como poucos países no mundo. E o estudo “Biocombustíveis no Brasil: alinhando transição energética e uso da terra para um país carbono negativo”, lançado ontem (9/10), mostra que o país pode mais do que dobrar a produção e o consumo deles até 2050 com salvaguardas socioambientais e recuperação de áreas naturais, sem que isso resulte em novos desmatamentos, informam Valor, g1, Agência Brasil e Sul21.

Elaborado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) com apoio do Observatório do Clima (OC), o estudo indica que o cultivo agrícola adicional para biocombustíveis pode utilizar entre 20 milhões e 35 milhões de hectares (Mha) dos 56 Mha de pastos degradados existentes no país. O montante seria compatível com políticas de eliminação do desmatamento e de recuperação de áreas naturais, além da expansão do cultivo de alimentos e de outras matérias-primas.

A análise traz seis cenários gerais de expansão da produção de biocombustíveis até 2050, cada um com diferentes combinações de matérias-primas e tecnologias para a produção de etanol, biodiesel, diesel verde e combustível sustentável de aviação (SAF). Embora a matriz de bioenergia seja bastante diversificada, o estudo concentrou-se nesses biocombustíveis por seu potencial de uso em larga escala no setor de transportes e por exigirem maior volume de matérias-primas vegetais, fator que pode intensificar a pressão sobre o uso da terra nos próximos anos.

O estudo tem como premissa uma meta de redução das emissões em todos os setores de 92% até 2035 em relação a 2005, como consta na proposta do OC para a segunda meta climática (NDC) do Brasil; um cenário de mitigação de emissões do uso e produção de energia em paralelo a um crescimento médio do PIB de 2,1% ao ano até 2050, segundo o estudo “Futuro da Energia: visão do Observatório do Clima para uma transição justa no Brasil”, assim como as diretrizes e salvaguardas socioambientais propostas no mesmo relatório. Também contribuiu para a análise o documento “A Petrobras de que precisamos”, lançado pelo OC em setembro.

Assim, o consumo de biocombustíveis no país deverá mais do que dobrar, de 102 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep) em 2024 para 221,1 Mtep em 2050. Paralelamente, a matriz de bioenergia também deverá ser mais variada, passando a contar com novas fontes, como diesel verde e SAF.

“Para isso, é necessário ampliar cultivos de maior produtividade, como a macaúba, e o investimento em novas tecnologias, como o etanol de segunda geração”, ressaltou Felipe Barcellos e Silva, autor do documento e pesquisador do IEMA. Contudo, o especialista reforça também a necessidade de que essa expansão seja feita com respeito ao meio ambiente e às comunidades.

“A bioenergia tende a demandar uma quantidade relevante de terras. Dessa forma, o país precisa ser rigoroso em políticas de monitoramento e regramento do uso do solo, além de outras salvaguardas importantes elencadas no estudo. A prioridade deve continuar sendo a produção de alimentos, bem como a proteção e a regeneração de áreas naturais, com os biocombustíveis ocupando apenas parte das áreas degradadas”, completou.

  • Em tempo: Na inauguração de sua fábrica no Brasil, ontem (9/10), a chinesa BYD apresentou o primeiro modelo de carro híbrido flex plug-in do mundo, informa a Revista Fórum. Desenvolvido por engenheiros brasileiros e chineses, o veículo é movido a eletricidade, gasolina e também etanol. Até agora, os modelos híbridos disponíveis no mercado não podiam ser abastecidos com o biocombustível.

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